As mães abandonadas enfrentam os problemas durante a pandemia

Em Arroio do Silva, Shayani Acosta está sem emprego, foi proibida de estudar pelo ex-marido e tem que cuidar de seis filhos

Shayani e Marta Acosta, filha e mãe em Balneário Arroio do Silva (Foto: Guilherme Cordeiro/TN)
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No Balneário Arroio do Silva, a população anseia pela chegada do verão. No município, cuja economia é 40% dependente do turismo, as ofertas de emprego para quem trabalha enquanto autônomo ou no mercado informal aumentam consideravelmente e são um incremento importante para as receitas familiares.

No município de mais de 13,4 mil habitantes, 340 famílias são beneficiárias do Bolsa Família, de acordo com o site da Caixa Econômica Federal. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2010, data do último censo do IBGE, foi de 0,746, acima de grande parte dos vizinhos na Amesc.

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Segundo informações do Portal de Transparência do governo federal, há mais de 3 mil pessoas cadastradas para o recebimento do auxílio emergencial; mais de R$ 6,9 milhões foram destinados para famílias em Arroio do Silva nos quatro primeiros meses da pandemia. É o quarto município com maior proporção de repasse por população na Amesc.

Mãe e filha vivem juntas

No bairro Erechim vivem Marta e Shayani Acosta. Mãe e filha, elas vieram do extremo do Rio Grande do Sul, na cidade do Chuí, na fronteira com o Uruguai, em busca de uma vida diferente em Santa Catarina.

Marta veio com o marido, pai de Shayani, e cinco dos seis filhos – a mais velha ficou no Chuí. Shayani deixou o marido no sul do Rio Grande do Sul para acompanhar os pais e, atualmente, passa os dias em casa enquanto as oportunidades de emprego não aparecem.

Sem renda e sem o marido, Shayani é uma das 495 mulheres que recebem o valor base do auxílio emergencial – atualmente em R$ 300 – dobrado. Os R$ 600 são usados quase que exclusivamente para a alimentação dos seis filhos – de 11, 9, 7, 5, 3 e um ano de idade – e no fim do mês, se chega a faltar algo para a casa, não é arroz e nem feijão, “graças a Deus para isso a gente sempre consegue, falta mais é leite e fralda para a pequena, e outros alimentos que os grandes gostam de comer”, pondera a dona de casa de 26 anos.

Proibida de estudar

No Chuí, aos 15 anos, Shayani deixou a casa dos pais e foi morar com o marido em uma fazenda, onde ele trabalhava como peão na lida com o gado. A adaptação da mais nova dona de casa, já grávida da filha mais velha, não foi difícil: “eu já tava acostumada com a vida da fazenda por causa do meu tio”, justifica.

O casamento conheceu as desavenças quando a filha mais velha cresceu e Shayani, que havia largado a escola para cuidar da casa, resolveu voltar a estudar: o marido a proibiu. Assim, depois de abdicar da educação na sexta-série aos 15 anos, ela nunca mais voltou a estudar. Partiu grávida do quinto filho com os pais para Arroio do Silva, onde permanece sem emprego e com mais uma filha, de um ano e que não leva na certidão de nascimento o nome do pai.

A matéria completa você confere na edição impressa de hoje do Tribuna de Notícias

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