Arroz: produtividade em crescimento

Em ano de recorde na safra, região segue se destacando no cultivo da semente. Resultado de 2020 representa aumento de 13% em comparação ao ano passado

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Tiago Monte

Turvo

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Mesmo em meio à pandemia do coronavírus, a região Sul de Santa Catarina registrou, neste ano, a safra de arroz mais produtiva da história. Isso indica que a semente segue sendo uma das principais culturas da Amrec e da Amesc. A região de Criciúma foi a que apresentou maior produtividade, com 175 sacas por hectare. Isso representa um crescimento de 22% em relação ao ano passado. A segunda foi Araranguá, com 172 sacas por hectare, com 15% a mais que 2019, seguida pela região de Tubarão (156 sacas por hectare), com crescimento de 5%.

O Sul catarinense, que compreende as regiões de Araranguá (58,8 mil hectares), Criciúma (21,8 mil hectares) e Tubarão (18,9 mil hectares), é a principal produtora, concentrando 65% da área de produção de Santa Catarina, com mais de 99.600 hectares. Os produtores estão comemorando o momento. “A safra deste ano foi recorde em produtividade e qualidade de grãos. Os preços também foram bons”, comenta o produtor Wagner Vitorino, de Turvo.

Ele acredita que o clima colaborou para os números crescerem. “Apesar de ter dado, em algumas regiões, uma estiagem severa, para nós, que não tivemos falta de água, foi bom. O ano enxuto, com pouca chuva, favorece o desenvolvimento do arroz, principalmente a época de floração: diminui as doenças, até mesmo algumas pragas, então o arroz se sobressai com uma produtividade alta”, explica Vitorino. “Na época de floração, quanto mais luminosidade, mais dias de sol, melhor. Ajuda muito na produção”, completa. O uso de sementes certificadas também contribuiu para o ganho de produtividade

Wagner explica o montante arrecadado com as vendas de sementes. “Tivemos uma média de 185 sacas por hectare e o valor da saca é de 58 reais. Isso no engenho. O preço na indústria. O preço da semente é maior porque tem valor agregado e fica, em média, a 110 reais a saca de 50 quilos”, conta.

Negócio de pai para filho           

Com 32 anos, Wagner já faz parte da segunda geração da família que se envolve com o plantio do arroz. “O meu pai começou com a produção há 40 anos. Hoje, temos uma administração conjunta. Ele faz mais a parte administrativa e eu no técnico pela produção”, lembra. “Hoje, a gente planta em torno de 250 hectares”, completa.

O plantio das sementes de arroz é o responsável pela subsistência da família e os principais clientes são do Rio Grande do Sul. “A gente planta o arroz com destino à produção de semente. Claro que, em alguma área que a gente não conseguiu ou deu problema, a gente vende para a indústria”, diz Wagner.

Atualmente, a família cultiva em torno de 10 tipos de sementes, chamadas de cultivares. Para que não haja a mistura entre elas, na hora da colheita, há uma estratégia. “A gente limpa bem as máquinas, quando sai de uma colheita para outra. O controle é rigoroso para não haver mistura varietal”, pontua.

Maiores produtores do Sul (quantidade/ano)*

Turvo – 531.487 toneladas

Forquilhinha – 526.979 toneladas

Meleiro – 492.266 toneladas

Nova Veneza – 390.974 toneladas

Jacinto Machado – 349.296 toneladas

*Fonte: Epagri/CEPA

Ciclo inicia-se em setembro

O plantio do arroz começa no início de setembro. Inicialmente, é feito o preparo das áreas, de forma antecipada, por 30 dias. “A gente enche as quadras de água, faz o preparo do solo e bota para germinar, depois semeia. A partir daí, a gente inicia os tratos culturais: o controle de ervas daninhas, aplicação de fertilizantes. Logo em seguida tem o controle de pragas, mais para frente, na formação de grãos, é o controle de doenças”, comenta o produtor.

A colheita, geralmente, começa uns 150 dias depois do plantio. “Aproximadamente uns cinco meses depois já dá para colher. Final de janeiro, inicio de fevereiro já temos as primeiras colheitas”, pontua. “A gente colhe até final de março, inicio de abril. Assim fecha o ciclo”, pontua.

O negócio não foi afetado pela pandemia do coronavírus. Pelo contrário, a alta nos preços ajudou no faturamento dos produtores. “Aqui não afetou em nada. Até é um dos fatores que deu um acréscimo nos preços do arroz. Em março, quando começou a pandemia, estávamos na colheita e como o produto está na lavoura, não tem como parar. Temos que colher. Infelizmente, essa pandemia elevou o preço do arroz. No começo, o pessoal se isolou e consumiu mais em casa. O aumento do dólar favoreceu a exportação e saiu arroz para fora. Assim, aumentou o preço interno”, ressalta.

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