Alunos da Satc vivenciam obstáculos enfrentados por deficientes físicos

Atividade realizada pelo curso de Design destaca a importância de desenvolver projetos que sejam acessíveis

Foto: Divulgação

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Criciúma

Empatia é um exercício que deveria ser realizado todos os dias, mas, muitas vezes, acaba sendo substituído por outras prioridades do cotidiano. Pensando nisso, o curso de Design da Faculdade Satc, realiza, todos os anos, uma atividade que estimula a capacidade dos alunos de se colocarem no lugar de quem tem algum tipo de deficiência física. A ideia é fazer com que eles sintam na pele as dificuldades enfrentadas por pessoas que não conseguem enxergar, ou que perderam o movimento de alguma parte do corpo.

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A atividade é, praticamente, a mesma realizada por toda a sociedade nos últimos dias devido a pandemia do coronavírus: sair da zona de conforto e se adaptar a uma nova realidade. A diferença é que, no projeto, a realidade é a de portadores de necessidades especiais. Conforme o professor Davi Denardi, os alunos vendam os olhos ou amarram uma das mãos e devem realizar práticas que estão acostumados no dia a da.

Nos anos anteriores, o projeto ocorria nos pátios da Satc, onde os alunos vendavam os olhos e se locomoviam em uma cadeira de rodas. Por conta da quarentena, a atividade foi adaptada e realizada em casa. “Para simular a cegueira, pedimos para eles vendarem os olhos e fazerem tarefas básicas, como manda uma mensagem no celular, trocar de roupa ou pentear o cabelo”, explica o professor.

Já para compreender a realidade de pessoas que sofreram uma amputação, os acadêmicos imobilizaram uma das mãos e tentaram fazer sanduíches, lavar a louça e botar em prática hábitos de higiene pessoal. “Depois disso, durante a aula virtual, nós discutimos a experiência e debatemos sobre a importância de irmos além de nossas realidades. Muitos deles, não conseguiram finalizar tarefas simples, como fritar um ovo, por exemplo”, destaca.

Experiência desafiadora

A atividade está inclusa nos ensinamentos de Design Universal, que visa estudar a projeção de produtos com ênfase na acessibilidade. Para a acadêmica Isadora Varela, foi algo diferente de tudo o que ela já havia vivenciado. “Foi uma atividade educativa e ao mesmo tempo desafiadora. Até gerou mais admiração pelas pessoas que precisam passar por isso no dia a dia”, conta. Segundo ela, a partir desta prática, gerou-se também uma preocupação maior com a questão da inclusão.

“Para nós, como designers, pensar na usabilidade das coisas é um ponto crucial. No fim, a gente acaba precisando dessas experiências sem nem perceber, pois elas nos fazem pessoas melhores e mais compreensivas”, completa Isadora. Outra discussão levantada pelos participantes do projeto, foi sobre as dificuldades enfrentadas para o uso da tecnologia. Segundo o acadêmico Weslei Ferreira, enviar mensagens pelo celular sem enxergar foi uma missão praticamente impossível.

A experiência durou apenas algumas horas, mas foi suficiente para que eles percebessem a necessidade de produzir materiais gráficos e produtos em geral pensando em todos os públicos. “A gente fez isso dentro de casa, então todo mundo já tinha uma ideia de como era o local e os objetos mais ou menos. Para um deficiente visual que está em um lugar desconhecido e sem poder contar com um ambiente acessível, a situação fica ainda pior”, afirma Ferreira.

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