Agro É Tudo: Produção e preservação ambiental

Um dos maiores cultivadores de polvilho da região se preocupa em cuidar também do meio-ambiente

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Tiago Monte

Sombrio

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O projeto Agro É Tudo fala sobre o agronegócio no Sul de Santa Catarina. Em um material especial, você acompanha, diariamente, aqui no portal tnsul.com todos os detalhes sobre as principais atividades, com dados e números que movimentam a economia da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) e da Associação dos Municípios do Extremo Sul (Amesc).

Gilvan Simão de Carvalho se considera um “ecochato”. Ele é diretor de uma das maiores produtoras de polvilho da região, a Fecularia Machado. Obviamente que a preocupação maior é com o faturamento da empresa. Porém, o produtor não se descuida da parte ambiental. Um dos pontos defendidos por Gilvan é a mudança na legislação do setor em Santa Catarina.“Eu sou um ‘ecochato’. A legislação ambiental de Santa Catarina é copiada do Paraná, mas lá o solo é argiloso. A terra é barro. Aqui, se tu furares uns três metros, já tem água. Queriam que cavasse buraco, mas, se eu fizesse isso, daí que eu iria dar um excesso de poluição na terra”, explica.

Além disso, Gilvan procura reaproveitar e redirecionar todos os produtos que utiliza, na produção de polvilho localizada em Sombrio. “Como aqui é uma terra virgem, provamos que a aquela água que vem do arroz, que eles botam veneno, a gente corrige ela aqui, porque ela vem em direção ao mar. Provamos isso. Se pegares uma quantidade da água da mandioca, terá o cianeto natural. É normal, é uma proteção. Se jogar demais na terra, polui. Mas se jogar em uma quantidade certa, aduba a terra”, pontua.

Ele destaca que o setor polvilheiro sempre esteve à margem e nunca teve uma legislação, diferentemente de outros produtos.“A farinha de trigo tem objetos estranhos até 100 gramas. O polvilho não tem. Até 180 graus, para cima, já se elimina qualquer bactéria ao ser humano, mas para nós era tolerância zero”, destaca.

A camada que fica em cima do polvilho, durante a produção, sempre causou desconfiança nos órgãos fiscalizadores, mas Gilvan provou que essa é uma proteção natural do produto. “Eu boto o polvilho e jogo uma lâmina de água, não tem como entrar poluente ali. Eles olham aquela crosta marrom e não tinham conhecimento. Fomos conversar e eles disseram que precisava ter aço inox ali, mas não. O inox não serve para azedar o polvilho, porque o ácido da mandioca é muito grande, então, precisa ser de porcelana. O que eu tenho para azedar polvilho, a minha mulher não tem no banheiro”, enfatiza.

Combate ao concorrente paranaense

Um polvilho paranaense, com compostos químicos, é uma ameaça no mercado local. A produção do Estado vizinho é mais rápida. “Eu vou levar 60 dias para colocar o meu polvilho no mercado. Os caras botam em seis horas. Vai ácido lático”, explica Gilvan. “Nosso slogan é: produzindo qualidade e preservando o meio ambiente”, completa.

O polvilho do Sul de Santa Catarina foi o primeiro a ser industrializado no Brasil. Hoje, porém, a representatividade é considerada baixa. “O pessoal do Norte do Estado compra polvilho do Paraná e nosso. Eles acabam misturando”, diz.

O produtor defende também uma igualdade de negociação para a entrada do polvilho paranaense em Santa Catarina. “Nós queremos produzir qualidade. Agora, o polvilho para entrar em Santa Catarina tem que assinalar se é natural ou químico. Existe uma lei. Queremos condições iguais de trabalho. No Paraná, a legislação diz que tudo que for oriundo da mandioca, se mandar para fora, tem 50% de desconto no imposto. A gente propôs que o governo taxe o produto que entrar no estado com 50%. Pronto. Fica igual. Estou esperando até hoje o governador aprovar essa lei”, questiona.

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