Mais um talento criciumense nas pistas nacionais

Aos 18 anos, Bruno Smielevski desponta no cenário automobilístico. Piloto é destaque em provas de longa duração e pretende disputar competições no exterior, mas sem perder o foco nos estudos

Foto: Divulgação
- PUBLICIDADE -

Tiago Monte

Criciúma

- PUBLICIDADE -

Seguindo os passos dos pilotos André Gaidzinski e Alex Cé, o jovem Bruno Smielevski, de apenas 18 anos, é mais um criciumense a despontar nas pistas do automobilismo nacional. Ele se destaca nas provas de longa duração da Império Endurance Brasil, mas já traça a caminhada no esporte há algum tempo. “Comecei no final de 2015, correndo de kart. Tinha uma prova local, em Morro da Fumaça, e eu me interessei. Assisti à prova, com apenas 14 anos, e me interessei pelo esporte. Na semana seguinte, o meu pai já comprou um kart para eu começar a treinar”, lembra.

LEGENDA Jovem criciumense participa das provas de longa duração da Império Endurance Brasil (Foto: Divulgação)

Após participar do Regional, em 2016, novamente no Sul de Santa Catarina, Bruno começou a caminhada nacional já no ano seguinte. “Participei do meu primeiro Campeonato Brasileiro, no Beto Carrero, com 40 karts. Eu participei da categoria sprinter – a novatos – e fiquei em décimo lugar na tomada de tempo. Na corrida, deu alguns problemas, bati e o resultado não foi muito bom”, comenta.

Em 2018, Bruno chegou a fazer testes em uma escuderia internacional. “Eu fiz um treino com a escuderia Carlin. Ela faz carros de Formula 2, 3 e 4 mundial. Até pilotos famosos como Vettel e Lando Norris passaram por ela. Eu fiz um teste na Formula 4”, comenta, orgulhoso.

Os primeiros títulos vieram em 2019. “Fiz a Sprint Race e fui campeão nos três campeonatos: Nacional, Internacional e Geral. Comecei aprendendo, peguei ritmo e briguei forte pelo campeonato. No final, na última prova, em Interlagos, foi bem disputada”, comenta.

A experiência de pilotar em Interlagos

                Um dos maiores palcos do automobilismo mundial é a pista de Interlagos, em São Paulo. Por lá já passaram nomes como Ayrton Senna, Michael Schumacher e Lewis Hamilton. Por isso, Bruno se orgulha de ter pilotado na pista paulista. “A pista é histórica. Todos os pilotos famosos de Formula 1 já correram lá. A emoção é muito forte e a pista é muito boa, o melhor autódromo do Brasil. Tem freadas fortes, retas longas. O ambiente em si é legal, tu se sente feliz em passar pelo mesmo caminho que o Lewis Hamilton fez”, pontua.

Bruno se define como um piloto corajoso, mas admite que já sentiu medo ao correr nas provas. “Já tive bastante medo. Quando eu comecei a correr, tinha bastante medo. Fazer uma curva rápida não é para qualquer um, tem que ter confiança no carro e treinar. Precisa ter ‘a mão’ do equipamento, tem que conhecer. Não pode pegar qualquer carro e arriscar. Não tem como. Tem que conhecer o equipamento e te conhecer para saber os teus reflexos”, ressalta.

Com cinco anos de competição, Bruno já se porta como um piloto experiente e conhece as particularidades das pistas. “Algo que diferencia o piloto médio do piloto bom é a coragem e o quanto ele arrisca. A coragem envolve muita coisa. Por exemplo: a curva 1 de Goiânia, tu freias a 240 km/h e contorna a 180 km/h. Muita gente não tem coragem. O carro da uma balançada e o cara vai parar nos pneus. Muita gente não fala da coragem, mas tem que frear forte e confiar no carro”, diz. “Eu desenvolvi essa coragem. Fui criando conforme o tempo passava, mas não da para ter excesso de confiança. Isso dá muito acidente. Tem que estar na medida: filtrar e analisar o ponto”, completa.

Bruno demonstra maturidade e conhecimento vasto, mesmo com apenas 18 anos (Foto: Guilherme Cordeiro)

A comparação entre carro e kart não serve tanto no aspecto coragem. “No kart, tu rodas e para. Não tem tanto medo. Agora, o carro é o contrário: tu estás a 200 km/h, se rodar, não para mais. A área de escape inteira ou a reta inteira rodando. O carro tu vês que tá rápido quando roda. O kart, não: roda e para. Carro envolve muito mais coragem”, pontua.

O simulador com um auxílio de desenvolvimento

Bruno tem um simulador em casa. Ou seja, ele tem as mesmas sensações das pistas em uma tela com cockpit. Isso facilita o desenvolvimento do piloto. “Quanto mais tu treinas, mais tu se adaptas a pistas novas. Então, eu sempre treinei em simulador, tenho um em casa, e nele tu consegues treinar em qualquer pista do mundo. Tu tens uma noção, não tão precisa, mas o básico da para saber: onde freia, qual lado vira, mais ou menos a noção. Quando tu chegares na pista, não perdes aquelas dez voltas para ‘se achar’. Dá para sair acelerando e buscar um pouco de tempo, essa é a vantagem do simulador: economiza umas dez voltas na pista. Tu sabes por onde começar”, explica.

A adaptação em Interlagos foi facilitada pelo simulador. “Em todas as pistas que eu corri, treinei no simulador para ter uma noção. Interlagos foi uma delas. Eu já tinha treinado bastante, já tinha bastante prática no simulador, então sentei no carro e fui para a pista tranquilo. Tanto é que, nas duas vezes que eu corri em Interlagos, eu ganhei”, diz.

Um interessado pelos detalhes do esporte

Mesmo jovem, Bruno já é um estudioso do esporte que pratica. Desde pequeno, ele tem o gosto pela mecânica. “Tive quadriciclo, moto, jipinho. Eu sempre quis correr de kart, quando era pequeno, mas acabei começando mais tarde. Eu sempre fui interessado em automobilismo e mecânica. Entre os pilotos jovens, eu sou o que mais domina a mecânica”, ressalta.

Ele destaca as atividades que mais tem prazer em realizar e onde mais aprende sobre os carros. “Eu gosto muito de motor, programação de motor, montar e desmontar os itens e saber como funciona para conhecer o equipamento. É muito importante saber o que tu tens na mão. Até ajuda para diagnóstico de problemas. Por exemplo: o carro tem um sintoma, tu tens que saber o que é. Freio, motor com problema de redução de marcha… Isso auxilia muito os mecânicos na hora de arrumar o veiculo ou melhorar o desempenho”, pontua.

Um dos diferenciais de um bom piloto é saber acertar o carro. Bruno já desenvolve isso desde cedo. “O acerto do carro também é feito pelo mecânico, mas o acerto mais refinado, que os mecânicos não conseguem ver, é com a gente. Geometria, por exemplo, é de extrema importância. Ela é responsável por todas as medidas das rodas. Os ajustes são por conta do piloto. Se o carro está saindo de dianteira, traseira… Saber diagnosticar o carro ajuda nas melhorias”, comenta.

Foco nas provas no exterior e nos estudos

Em setembro, Bruno começou a estudar Engenharia Mecânica na University of Central Florida, em Orlando, nos Estados Unidos. Assim que o quadro da pandemia do novo coronavírus melhorar, ele morará na América do Norte. “Passando a pandemia, eu vou para lá. Surgindo a oportunidade lá, eu vou aceitar. Nas universidades de lá, tu não tens um currículo fixo. Podes mudar a carga horária, ter menos aulas, mudar a programação e calendário. Atrasa um ano para se formar, mas não tem um tempo tão puxado. Isso é bom: mais flexível”, pontua.

LEGENDA Smielevski comemora os resultados obtidos nas mais recentes provas, em Goiânia (Foto: Divulgação)

Ele gostaria de correr no exterior, mas o objetivo é o estudo. “Vou correr, quando surgir oportunidade, no futuro, e gostaria de correr lá fora. Tem vários campeonatos bons de Fórmula 3 e 4. Eu gostaria de correr, mas sempre dando preferência aos estudos, já que a carreira de piloto, no Brasil, é muito difícil. No exterior, até tem como, mas prefiro dar preferência para os estudos, que tem futuro mais garantido”, diz.

O pai César e a mãe Ângela são incentivadores de Bruno. Cada um ao seu jeito. “A mãe diz para eu ir devagar e tem medo de velocidade. Em Interlagos, ela pediu para eu ir devagar. É instinto de mãe para proteger. Ela diz: ‘Vai com calma’”, lembra o piloto, com bom humor. Porém, o jovem é grato aos pais. “Sem meus pais, eu não estaria onde estou. Eles me influenciaram de todas as formas possíveis: desde financeira até motivacional. Devo muito a eles pelo reconhecimento que tenho nas pistas”, finaliza.

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.