Alunos e professores precisam se adaptar as aulas virtuais

Plataforma digital foi criada para auxiliar estudantes, os que não possuem internet recebem materiais impressos nas escolas

- PUBLICIDADE -

Desde o dia 6 de abril, professores e estudantes da rede estadual de ensino estão se adequando a um novo desafio: lecionar e estudar dentro de suas próprias casas. Entretanto, nem todos estão preparados para encarar o formato adaptado de aprendizagem. Alguns professores estão com dificuldades para lecionar e alunos que não têm acesso à internet estão com limitações para executar as atividades.

Essas situações foram elencadas em um documento da direção estadual do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinte), endereçado ao Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) e na região, a situação não é diferente. Segundo o coordenador do Sinte de Criciúma, Ênio Leonardo, inúmeros problemas estão acontecendo na regional. “A realidade é a mesma em todo o nosso estado, nós temos problemas com os professores em caráter temporário (ACTs), que foram chamados para assumir sua vaga antes da suspensão das aulas e sem explicação tiveram seus contratos reincididos. Existem professores que estão impossibilitados de lecionar devido ao meio tecnológico utilizado, ou que precisam conciliar o tempo de preparação de aula com o convívio com a família, principalmente os que têm crianças. O fato é que precisamos ter condições mínimas para a atuação e não temos”, disse.

- PUBLICIDADE -

Conforme o coordenador, outros problemas foram pontuados neste documento. “Temos reclamação de professores que estão enviando suas aulas e são criticados pelos seus gestores escolares sobre qualidade ou tamanho do material, porém, não está sendo considerado que nenhum professor estava preparado para isso. Existem educadores que têm um aparelho celular com uma imagem melhor, outros que não”, destaca Leonardo.

Em Araranguá, o Sinte também enfrenta problemas. De acordo com o coordenador, Gerson Barbosa, todas essas denúncias devem ser averiguadas. “Não há uma demanda específica, mas essa adaptação está prejudicando tantos os professores, como também os próprios estudantes. Nós não somos contra o meio digital nas escolas, mas precisamos de estrutura. Perder o ano letivo é quase que impossível, já tivemos greve que duraram 72 dias e nenhum estudante foi prejudicado. Outra preocupação é os alunos sem acesso à internet”, reforça Barbosa.

Mãe professora sente na pele a mudança

Tatiana do Amaral De Córdova Slvinski é a mãe de Matheus, de sete anos, que está no segundo ano da Escola Básica João Frasseto, no bairro Santa Luzia, em Criciúma, para ela, o desafio é dobrado, pois além de cumprir seu papel de mãe, ela também é professora do quinto ano do educandário. De acordo com Tatiana, as aulas estão sendo um desafio. “Eu como mãe, estou auxiliando ele nas atividades, já que algumas precisam do um apoio devido às plataformas digitais, mas o conteúdo está chegando normalmente, seguindo uma sequência já trabalhada em sala de aula. É uma experiência muito diferente para nós”, comenta.

Para Tatiana, a mudança deixa os pais inseguros. “Precisamos de tempo para entender a plataforma, mas eu acho que essas limitações serão momentâneas, pois depois vamos com facilidade ajudar na realização da atividade de nossos pequenos”.

Tatiana é professora e está ao mesmo tempo conciliando as suas duas missões: mãe e educadora. “O maior desafio dos pais é a adaptação junto da tecnologia, pois devemos aprender a mexer e ter noção básica a ponto de repassar as atividades aos nossos filhos. É ainda mais desafiador porque eu preciso também exercer minha função profissional aqui dentro de casa. Eu estou trabalhando home office, ajudando meu filho e aglutino ainda as minhas atividades domésticas”.

Coordenadoras comentam aceitação do novo método

As coordenadores regionais de Educação, da região de Criciúma, Ronisi Guimarães, e a de Araranguá, Rosane Castelan, foram procuradas pela reportagem e comentaram sobre as atividades e as aulas remotas.

Segundo Ronisi, uma plataforma digital foi desenvolvida pela Secretaria de Estado da Educação para facilitar a realização dos trabalhos propostos pelos educadores. “As aulas não estão sendo presenciais há nove dias e temos também um diário online já utilizado anteriormente para o controle de alunos e registro de atividades e até o momento tudo está bem aceito, tanto por professores, como por alunos, mas ainda estamos em adaptação”, destaca.

Para os alunos que não possuem internet em casa, as atividades estarão à disposição nas unidades de ensino. “Os professores estão se organizando junto dos seus gestores e disponibilizando um horário de atendimento sem aglomerações para atender e fazer a entrega do material impresso”, relata Ronisi.

Na região de Araranguá, segundo a coordenadora Rosane Castelan, todos estão em adaptação. “Estamos seguindo todas as orientações da nossa secretaria. Nossa missão não é prejudicar ninguém, todos estão se esforçando, pais, professores e alunos neste período de adaptação”, conta.

Rosane, sobre as alegações do Sinte, diz que o momento atípico causou algumas situações. “Na nossa regional nenhum professor ACT foi demitido por conta da pandemia. Temos sim disciplinas sem professores, mas, é porque o contrato com o temporário encerrou e o titular não voltou e as chamadas foram prorrogadas e será feita nos próximos dias, provavelmente via email para que não tenhamos a propagação do vírus”.

Na Região Carbonífera, a situação é semelhante, mas o pedido é de paciência. “Nada substitui a vivência escolar, mas hoje, a educação virtual é a melhor medida para não comprometer o ano letivo”, pontua a coordenadora.

 

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar
Por: Eduardo Souza
Em: Criciúma

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.