Urussanga: Cachaçaria familiar é premiada internacionalmente

Nos limites de Urussanga e Pedras Grandes, propriedade dos Sorato comercializa até 30 mil litros da bebida por ano

Foto: Guilherme Cordeiro/TN
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Na propriedade de 28 hectares, nos lotes que os colonos italianos receberam quando chegaram ao Sul catarinense, a família Sorato optou por um caminho não muito usual: largou o plantio do fumo no começo dos anos 2000 para investir e especializar-se na produção da cachaça. 20 anos depois, o reconhecimento pelo trabalho veio na premiação no Concurso Mundial de Cachaça, realizado em Bruxelas, e nos mais de 30 mil litros vendidos anualmente.

A cachaça é praticamente toda produzida na propriedade familiar, no limite de Pedras Grandes com Urussanga: desde o plantio da cana até os processos de fermentação e destilação. O engarrafamento é feito na Cooperativa Familiar Agroindustrial Sul Catarinense (Coofasul), em Urussanga.

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A comercialização da cachaça produzida entre Pedras Grandes e Urussanga é sob o rótulo da marca Imigrantes, criada há alguns anos com a ajuda de Ricardo Sorato. Em 2017, ele largou o emprego em uma metalurgia para auxiliar o pai, Celi Sorato, e o tio, José Sorato, que tocavam a cachaçaria.

Com a criação da marca, ampliou-se o número de vendas, de produtos e o investimento em infraestrutura na cachaçaria. Foi assim que se chegou à Medalha de Prata no Concurso Mundial de Cachaça deste ano em Bruxelas, honraria concedida no dia 11 de novembro deste ano, para a cachaça ouro envelhecida em barril de bálsamo.

“A gente fica feliz de ver a qualidade, todo o empenho da família com o trabalho, de seleção de produtos e matéria prima para ter um produto de excelência. E depois a visibilidade muito grande para Santa Catarina, Brasil e para o mundo”, comemora Ricardo.
A estimativa de Ricardo é de que, nos últimos quatro anos, foi feito um investimento de R$ 700 mil, entre novas estruturas e barris. Neste ano, outros R$ 200 mil serão empregados para a instalação de uma caldeira e novos equipamentos para fermentação e destilação.
A família organiza sozinha a marca e a produção, com o auxílio da Coofasul. Ricardo cuida das partes burocráticas, enquanto Celi é o mestre alambiqueiro e José cuida do plantio e colheita da cana.

Além da cana de açúcar, alguns tipos de cachaça também são feitos com melado, que é comprado. A produção é praticamente toda realizada na propriedade.

O primeiro processo para a elaboração da cachaça é o de moagem da cana e a posterior decantação para corrigir as impurezas e ajustar o nível de doçura, antes de passar para os tanques de fermentação. Ao caldo, junta-se a levedura, fungo responsável pelo processo que transforma o açúcar em álcool.

Após a fermentação, que usualmente demora 24 horas, é feita a destilação, na temperatura de aproximadamente 90°C. Todos esses processos interferem diretamente na qualidade do produto, de acordo com Ricardo Sorato.

“Os principais cuidados da fermentação são limpeza, temperatura controlada e levedura nova. Como a fermentação é viva e se reproduz, se tiver muito fermento, termina o processo antes de 24 horas e começa o processo de vinagração”, detalha. “Tem todo um controle, de estar cuidando. Hoje com a experiência a gente já consegue ver quando concluiu a fermentação de olho”, acrescenta Ricardo.

As cachaças ouro são envelhecidas em barris; atualmente, há cerca de 50 na cachaçaria, de diferentes tipos de madeira. As cachaças prata são envelhecidas nos tanques de inox, entre um e quatro anos.

A comercialização é feita em produtos engarrafados, mas também a granel. Ricardo cita a venda recente de 10 mil litros para uma marca nacional que exporta cachaça sob rótulo próprio.

O líquido engarrafado na Coofasul com a marca Imigrantes usa apenas o chamado coração do processo de destilação: o que sai no começo e no fim dos tanques é descartado. “Aí não tem perigo de ter qualquer propriedade nociva, então é uma cachaça bem reservada”, aponta Ricardo.

Com a premiação e os investimentos, a meta para o ano que vem é saltar de 30 mil litros vendidos anualmente para 100 mil. Ricardo projeta, além das melhorias nos processos de fermentação e destilação, adquirir mais 80 barris para comportar o crescimento das vendas, além de uma nova loja em que seja possível para o cliente conhecer como é feita a cachaça.

Além da comercialização feita atualmente na cachaçaria, as garrafas são vendidas para supermercados da região. O produto a granel é vendido para outras marcas e também para restaurantes locais. O preço médio do litro da cachaça prata a granel é R$ 8, enquanto uma garrafa da cachaça ouro custa até R$ 35.

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