Regional: Setor têxtil à espera da normalidade

Após viver um 2020 complicado, empresários do ramo da confecção aguardam um novo ano com a volta da plenitude no comércio varejista

Alta do dólar e escassez de matéria-prima e de insumos prejudicam produção (Foto: Divulgação)

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Tiago Monte

Criciúma

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Neste ano, todos os setores produtivos sofreram com os impactos da pandemia do novo coronavírus. Um dos mais impactados é o setor da indústria do vestuário no Sul Catarinense. As empresas sinalizam uma recuperação, porém, lenta. “Tudo o que acontece reflete diretamente no setor do vestuário. Somos os primeiros a entrar na crise e o ultimo a sair”, comenta o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário do Sul Catarinense (Sindvest), Xandrus Galli.

O setor depende diretamente do comércio varejista, que ainda não se recuperou completamente dos impactos da pandemia da Covid-19. “Somos indústria de transformação e dependemos do comercio varejista, que ainda não está a pleno. Há ainda um grande agravante: nós estamos com aumentos abusivos”, ressalta Galli.

Os motivos para os aumentos são a alta do dólar e a escassez de matéria-prima e insumo para produção. “As matérias primas são quase que 90% importadas e outra: faltam matérias primas e insumos para produção”, confirma o presidente.

Apesar de todas as dificuldades, a maioria das empresas conseguiram uma reação no segundo semestre, com o aumento das vendas e a retomada da produção. “Acredito que a maioria das empresas tenham conseguido o equilíbrio financeiro, principalmente pautado  no segundo semestre”, destaca o empresário Roberto Benedet, do Grupo Visual, que trabalha as coleções através de representantes comerciais, em nível nacional.

Benedet engrossa o coro do discurso liderado por Galli. “O nosso maior problema foi na reposição de insumos”, afirma.

Um ano de equilíbrio nos resultados

Financeiramente falando, o ano começou assustador para as empresas do setor da indústria do vestuário. “Quando falamos em resultado financeiro, sabemos que o ano foi desafiador, afinal ficamos alguns meses com faturamento 85% abaixo”, lembra o diretor industrial da Damyller, Sidney Damiani.

O segundo semestre, conforme a tônica de mercado, foi de uma recuperação considerável. “Extremamente positivo, com relação ao ano anterior, na maior parte dos meses. Portanto, entendemos que fechar o ano no zero a zero será um ótimo resultado”, enfatiza.

Devido à falta de matéria-prima, as empresas precisam de um esforço extra para conseguir produzir e atingir os resultados. “Sentimos bastante na questão dos componentes metálicos e embalagens. Estamos tendo alternativas para suprir, mas, mesmo estas, também estão demandando um esforço extra”, ressalta.

Expectativa de uma maior tranquilidade

Para 2021, os empresários apostam todas as fichas na efetividade das vacinas, para que a normalidade se restabeleça, o comércio varejista volte a faturar normalmente e as indústrias normalizem as produções. Por enquanto, as projeções são incertas. “É uma verdadeira incógnita. Estamos todos confiantes para um bom ano de 2021, principalmente na descoberta de uma vacina que possa trazer de volta a normalidade e tranquilidade no varejo”, comenta Galli.

O presidente do Sindvest ainda critica a postura das pessoas frente à pandemia, principalmente no que diz respeito ao cumprimento das normas de distanciamento social. “A população descumpre os decretos e age como se nada tivesse acontecendo. As pessoas lotam praias e fazem festas. Sendo assim, apenas uma vacina poderá imunizar em massa e normalizar a situação”, enfatiza.

O temor de Galli é por um novo fechamento dos setores considerados não essenciais em todo o território nacional. “Enquanto não diminuir essas ondas de Covid-19, decretando ‘lockdown’ em vários lugares do Brasil, onde nossa indústria regional atua, nós realmente não saberemos realmente  o que poderá  acontecer”, pontua Galli. “Estamos trabalhando, um dia após o outro, para podermos superar essa fase e entrar com a indústria a pleno novamente”, finaliza o presidente do Sindvest.

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