Orleans e Lauro Müller: Cachaças premiadas no exterior

Cachaça do Conde, de Orleans, e Cafundó da Serra, de Lauro Müller recebem reconhecimento máximo em concurso na Bélgica


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Orleans/Lauro Müller

Duas cachaças produzidas na Região Carbonífera ganharam a premiação máxima na 27ª edição do Concurso Mundial de Bruxelas, o maior evento voltado para avaliação e premiação de destilados do mundo inteiro. A Cachaça do Conde, de Orleans, e Cafundó da Serra, de Lauro Müller, foram agraciadas com a grande medalha de ouro, que é concedida aos rótulos já premiados mediante uma segunda degustação, na qual são escolhidas as melhores do evento.

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O concurso concede três tipos de prêmios: grandes medalhas de ouro, medalhas de ouro e medalhas de prata. Das 44 bebidas premiadas no concurso, 12 são catarinenses.  O destaque também ficou para uma aguardente do Engenho Borghezan, produzida por um agricultor de Grão-Pará, que recebeu a premiação ouro, e para a Cachaça Imigrante, de produtores de Pedras Grandes, premiados com prata. A Cafundó da Serra também teve um rótulo premiado com ouro pelo segundo ano consecutivo.

Esses empreendimentos catarinenses também vêm mostrando a qualidade dos produtos, desde 2017, ao serem condecorados na Expocachaça, maior vitrine mundial da cachaça. Este ano, dos 148 premiados, 25 foram de rótulos catarinenses, dos quais os quatro ganhadores em Bruxelas também figuram na lista dos melhores no evento brasileiro.

A produção de cachaças diferenciadas pelos agricultores familiares se deve em parte ao trabalho da Estação Experimental da Epagri em Urussanga (EEUR), que no início dos anos de 1990 começou um trabalho de avaliação de cultivares de cana-de-açúcar para recomendação de plantio no estado, inclusive fornecendo mudas aos interessados. A unidade de pesquisa também possui um laboratório para análise dos destilados em diferentes processos da produção. Ali são avaliados parâmetros norteadores da qualidade da bebida, como grau alcoólico, acidez volátil, ésteres, aldeídos, cobre, entre outros. “Esses dados são fundamentais para ajustar a produção à qualidade desejada”, explica o pesquisador Stevan Arcari, responsável técnico pelo laboratório de bebidas da EEUR.

Cachaça é um destilado primário do mosto da cana-de-açúcar fermentado. Ou seja, recebe essa denominação apenas a bebida feita da garapa da cana fermentada e destilada. Para ser comercializada, precisa ter registo no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

O jovem investidor em bebida

No ano de 2012, em Orleans, o jovem agricultor Henrique Orben decidiu investir em uma antiga atividade do pai: produção de cachaça. Ele já havia plantado fumo e trabalhado na área urbana, mas queria novos desafios. Com um olhar empreendedor e moderno da atividade, ele se capacitou em cursos no estado de Minas Gerais,  adquiriu mudas de cana-de-açúcar na Epagri e em 2014 produziu 15 mil litros com a primeira safra. Hoje a produção anual está em 50 mil litros, mas ele não tem intenção de aumentar. “Quero mesmo é agregar valor”, afirma.

Na cartela de produtos da empresa constam quatro tipos de cachaças. O rótulo premiado em Bruxelas foi produzido em 2018:  Cachaça do Conde Amburana, que descansou em barril de amburana, madeira brasileira de árvore nobre. Na Expocachaça, a premiação ouro foi para a Cachaça do Conde Blend, que utilizou as madeiras carvalho, amburana, bálsamo e jequitibá no envelhecimento,  responsáveis por garantir à bebida características peculiares e únicas.

Henrique se envolve com a produção da cachaça desde o campo, com a preparação da terra para o cultivo da cana-de-açúcar, até a comercialização dos destilados. “Temos que entender de tudo”. Ele tem boas perspectivas de venda dos produtos após essas premiações, cuja procura já vem aumentando. “Agora as vendas vão deslanchar”, comemora.

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