Municípios do Sul contabilizam estragos após passagem de “ciclone bomba”

Apesar dos danos materiais, nenhum município da Amrec e Amesc registrou óbitos decorrentes dos fortes ventos e da chuva

Fotos: Lucas Colombo / TN
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Ainda em alerta por conta do risco de novos vendavais, após a passagem de um ciclone bomba, os prefeitos dos municípios da Região Sul foram às ruas fazer um balanço dos estragos registrados na madrugada e manhã de ontem. Apesar do forte vento, nenhuma morte foi registrada, diferente do que aconteceu em outras regiões do estado, onde houve nove óbitos e uma pessoa seguia desaparecida até o fechamento desta edição.

“Nunca passei por uma situação tão difícil”, conta Anselmo Azambuja, de 61 anos, casado, desempregado, e que viu o salão de beleza onde a mulher trabalha ser destruído. “Das duas e meia em diante, veio o vento forte. Aí começou a cair tudo, destelhou a casa, a garagem, até a caixa da água foi para na casa do vizinho. Fomos obrigados a ir dormir no porão da casa da minha sogra”, relata o morador de Treviso.

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Conforme o coordenador da Defesa Civil de Treviso, Vinicius Pasquali, os ventos de mais de 100km/h ainda fazem com que parte da população sofra com a falta de energia. “Temos áreas do município que já estão há mais de 12 horas sem energia. A situação não é boa, os estragos deixados pelo ciclone se juntam às dificuldades por conta da Covid-19 e também da estiagem que atinge o campo”, pontua.

Em Siderópolis, aonde os ventos chegaram a atingir a marca de 132 km/h, diversas ocorrências foram registradas. “Tivemos destelhamentos de casas, ambientes comerciais, galpões, além de inúmeras quedas de árvores e postes”, afirma Hélio Cesa, o Alemão (MDB), prefeito de Siderópolis, que está em contato direto com Defesa Civil do município.

A maior preocupação é com a falta de energia, que atinge moradores e também os produtores de leite. “Os funcionários da Cooperativa de Eletrificação Rural de Treviso (Certrel),  fornecedora de energia de Siderópolis, estão na rua trabalhando, mas ainda não se tem uma previsão de quando o fornecimento de energia será normalizado”, conclui.

Sem comunicação

Segundo a coordenadora municipal de Proteção e Defesa Civil de Siderópolis, a situação na área rural é preocupante, porque os produtores não estão conseguindo se quer trabalhar. “A ordenha mecânica não está acontecendo e o armazenamento dos laticínios também está comprometido”, reforça.

Para dificultar o trabalho dos profissionais da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros Militar, a falta de comunicação, por conta de muitas cidades estarem sem sinal de telefone, internet e luz, impossibilitava a realização de atendimentos.

Transtornos da rede elétrica

As Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), maior fornecedora de energia elétrica do estado, contabilizou no início do vendaval, na terça-feira, mais de um milhão e meio de pessoas sem energia, no que está sendo considerado o maior dano da história na rede elétrica estadual, pela companhia.

Até ontem à noite, 559.024 unidades consumidoras seguiam sem energia elétrica no Estado.. Segundo Zulnei Casagrande, chefe da Divisão Técnica do Núcleo Sul da Celesc, a prioridade é o retorno da energia. “A expectativa é que até sexta-feira, no caso, em três dias, possamos normalizar o atendimento em Criciúma e região. Depois da normalização, iremos focar nas recuperações necessárias”, disse. Assim como na Região Sul, em Santa Catarina a estimativa é que a Celesc também normalize o fornecimento de energia em três dias.

Óbitos em decorrência do ciclone explosivo

  • Chapecó: 1 óbito
  • Santo Amaro da Imperatriz: 1 óbito
  • Tijucas: 3 óbitos
  • Governador Celso Ramos: 1 óbito
  • Ilhota: 1 óbito
  • Itaiópolis: 1 óbito
  • Rio dos Cedros: 1 óbito

*Uma pessoa segue desaparecida

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