Jovem fumacense aposta no cogumelo orgânico como negócio

Fellipe Saviato, de 22 anos, produz o alimento na propriedade de 10 hectares em Içara e entrega os produtos na casa dos clientes

Produção do cogumelo é feita em estufa (Foto: Guilherme Cordeiro/TN)
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Em busca de um negócio próprio, um jovem de Morro da Fumaça apostou em uma produção inusual na região: o cultivo de cogumelos orgânicos vendidos para a alimentação. Para tornar o projeto realidade, usou uma pequena parte da propriedade de 10 hectares da família, usada em outros tempos para o plantio de fumo. Nasceu assim, há dois meses, a Monsavi Alimentos do Campo, uma microempresa que produz e revende em serviço delivery os cogumelos.

O embrião da Monsavi começou em dezembro, quando Fellipe Saviato, 22 anos, teve a ideia de usar o sítio da família para o cultivo de cogumelos. A ideia inicial do jovem empresário era ter o próprio negócio, um sonho antigo, e usar a propriedade há oito anos sem uso. Após conversa com amigos, optou pelo cogumelo, depois de descartar a criação de peixes devido aos custos.

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O entendimento sobre o cultivo nasceu após um curso em Canela, na Serra Gaúcha. Lá ele convidou um dos palestrantes, de Florianópolis, a prestar consultoria no novo negócio. Atualmente, a Monsavi produz cerca de 50 quilos de cogumelos por mês e vende em bandejas de 200 gramas, tanto para lojas de produtos naturais (projetando-se futuramente atender supermercados), quanto para restaurantes ou até consumidores finais.

Ele explica um dos motivos que o levaram a produzir cogumelos. “Foi uma mudança de estilo de vida que eu trouxe comigo, voltado para a alimentação saudável. O cogumelo, mesmo que não tenha o mesmo valor nutricional – é importante deixar claro isso – acaba sendo um substitutivo para a carne. Eu não virei vegetariano, mas diminuí bastante o consumo da carne”, conta.

A produção é feita em uma estufa que controla o ambiente para o desenvolvimento dos cogumelos. Saviato compra de Itajaí os substratos, forma de cultivo dos cogumelos. “Ele necessita de ambiente controlado para a produção em sequência. Na terra é difícil, porque não tem como controlar o ambiente e, se quiser produzir organicamente, fica complicado”, detalha.

O substrato é um composto de sementes feito em três etapas: primeiro a mistura de ingredientes como serragem, cascas de arroz e soja, e água; depois é feita a pasteurização com vapor de água, que mata as bactérias, e por último ele é levado para o laboratório para a colocação das sementes dos cogumelos. Este processo leva 25 dias e o cultivo nas estufas, a ponta da produção, dura mais sete.

Entre os projetos do microempresário está a produção do próprio substrato, o que lhe permitirá cortar gastos e ampliar a capacidade das estufas: até o ano que vem, a meta é multiplicar a produção e chegar aos 500 quilos mensais. “Com isso, vou poder vender os cogumelos mais baratos, atingindo as classes mais baixas. Hoje se tem muito o consumo do cogumelo como algo para a elite”, pondera Saviato.

Ele lembra que em supermercados uma bandeja de 200g é comercializada a cerca de R$ 15. Na Monsavi, cada bandeja é vendida por R$ 10 – média de R$ 50 o quilo para o consumidor final e R$ 40 para os estabelecimentos.

Com lojas parceiras em Morro da Fumaça e a expectativa de ampliar para Sangão e Sombrio, uma das apostas da Monsavi é nas plataformas digitais para crescer. “A ideia de mídia digital é o ‘canal’, minha namorada me ajuda com as artes e teve um resultado muito bom no Instagram. Também fiz parceria com influencers de alimentação saudável, o que deu um bom retorno”, diz o empreendedor.

Saviato é o proprietário, o cultivador e o entregador dos produtos, mas almeja contratar um ajudante nos próximos meses para acompanhar o crescimento da microempresa.

Ainda na propriedade – localizada quase no limite entre Içara e Morro da Fumaça e utilizada anteriormente para o bisavô para o plantio de fumo, depois pelo avô para a criação de gado e há oito anos sem uso – Saviato pretende cultivar morango orgânico.

A terra, que já viu muitos malefícios causados pelo tabaco, agora é voltada para o cultivo orgânico: na próxima semana, a expectativa é ganhar o selo de produto orgânico para os cogumelos, que podem ser comprados pela internet e entregue nas residências dos consumidores da Amrec e Amesc.

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