Indústria regional sofre com a falta de matéria-prima

A Associação Empresarial de Criciúma (Acic) alerta sobre essa situação desde o mês passado. Moacir Dagostin, presidente da Acic, afirma que a falta de matéria-prima é a realidade de praticamente todos os setores produtivos da região.

Foto: Lucas Colombo/TN
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Heitor Araujo – Criciúma

A queda da economia brasileira projetada para 2020, decorrente da pandemia do coronavírus, está em -5% do Produto Interno Bruto, segundo estimativas do Banco Central na segunda-feira. No entanto, essa retração é menor do que projetada anteriormente, quando se prospectava o número de -6,5%. Com uma demanda acima do esperado, o setor produtivo enfrenta outro problema: a escassez e os altos valores das matérias-primas.

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Essa é uma realidade para o setor industrial do Sul Catarinense. A Associação Empresarial de Criciúma (Acic) alerta sobre essa situação desde o mês passado. Moacir Dagostin, presidente da Acic, afirma que a falta de matéria-prima é a realidade de praticamente todos os setores produtivos da região.

“A nossa economia é muito diversificada, mas há falta de fornecimento em todos os setores, em função de que as indústrias no geral ficaram praticamente três meses paradas ou com carga menor de produção. A retomada, felizmente, veio mais forte do que estava previsto. Com isso as encomendas têm aumentado muito em todos os setores”, afirma Dagostin. “Um associado nosso tentou, em função da demanda mais forte, aumentar a produção e o fornecedor de matéria prima disse que ia tentar garantir o que havia sido comprado no ano passado”, ilustra.

A falta de matéria-prima, na avaliação do empresariado local, é decorrente também de outros fatores, como o aumento do dólar, o que torna difícil a compra dos materiais, importados especialmente da China. “É muita matéria prima importada. A nossa balança é muito mais importadora, então dependemos muito de matéria prima de fora”, argumenta Dagostin.

Segundo o presidente da Acic, a balança comercial regional é 65% importadora e 35% exportadora. Se o aumento do dólar é benéfico para quem vende ao mercado externo, para quem precisa importar peças acaba sobrecarregando os preços de produção.

O diretor geral da Plasson no Brasil, que tem sede em Criciúma, Frank Hobold, diz que, pela falta de matéria-prima, em algumas semanas a receita chega a operar 20% abaixo do que poderia. “A gente tenta recuperar na semana seguinte, mas nem sempre se consegue. Minimiza o prejuízo, mas não recupera total”, lamenta.

“Nós vendemos tudo o que se vê em instalação de aves e suínos, inclusive muitas vezes fazemos a construção. A falta de material nos afeta em tudo: você não entrega uma instalação se falta o fio elétrico, por exemplo. Não dá para entregar tubo, que é o que alimenta os aviários, se falta PVC. É uma situação muito difícil de ser administrada”, detalha Hobold.

Dagostin reforça que o desabastecimento nas indústrias é geral na região e complica a projeção da retomada econômica ainda em meio à pandemia. “A falta de matéria-prima prejudica inclusive a contratação de pessoas. Muitas empresas estavam programando aumentar a produção, voltar pelo menos ao normal, e não se consegue essa retomada. Não adianta ter uma parte do produto e a mão de obra, mas não tem o acabamento. Têm empresas que estão com o produto pronto e não tem a embalagem para remeter”, afirma.

“Uma lata de tinta, por exemplo. A empresa não tem a lata para poder colocar a tinta, que já está pronta”, exemplifica Dagostin. Ainda de acordo com ele, algumas empresas maiores conseguem ser atendidas pelos fornecedores, mas muitas acabam enfrentando dificuldades.

“Aquelas empresas com estrutura melhor, com fornecedores, essas até conseguem um pouco mais de barganha, mas as menores, que não tinham programação efetiva com fornecedores, ficam até em segundo plano. Os produtores de matéria prima privilegiam aqueles clientes que têm uma programação mais efetiva”, conclui.

O diretor geral da Plasson destaca que o aumento dos preços das matérias-primas foi além da variação cambial. Um dos pedidos dos empresários é pela redução do Imposto de Importação para manter a competitividade da indústria nacional. “Hoje tem vários produtos que a falta é em nível mundial. Não adianta ir buscar lá fora. Tem coisas que dá para buscar lá fora, mas tem o problema da competitividade. No patamar que o dólar está hoje, mais os impostos, o produto sai muito mais caro do que comprar no Brasil. Talvez seja a solução imediata de zerar o imposto de importação e trazer mais equilíbrio ao mercado brasileiro”, aposta Hobold.

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