Criciúma: Preço do gás sobe pela sétima vez em sete meses

Revendedoras e restaurantes manifestaram preocupação com o novo reajuste da Petrobras

Botijão poderá custar R$ 91 (Foto: Arquivo/Lucas Colombo/TN)
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O preço do gás de cozinha foi reajustado ontem pela Petrobras e chega ao sétimo aumento nos últimos sete meses. Se antes um bujão de 13 quilos, o mais comum usado nas casas, custava aproximadamente R$ 72, agora estava – em média nas revendedoras de Criciúma – R$ 87. Se houver novo repasse ao consumidor final, o preço sobe para R$ 91.

Àquelas revendedoras que repassaram os reajustes aos consumidores, o preço do gás teve uma variação de 26%. Desde maio com elevação do preço constante pela Petrobras – e um repasse, de acordo com o sindicato das revendedoras, abusivo pelas distribuidoras – algumas empresas optaram por não acrescentar o aumento no preço final para o consumidor.

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Repasses

Porém, segundo o presidente da Sirgas, Fernando Bandeira, essas revendedoras já estão com dificuldades de fluxo de caixa e capital de giro. “A gente está preocupado com as revendas, nesse turbilhão de tudo e Covid-19, muitas têm segurado parte desses aumentos. Mas a despesa é muito pesada, de distribuição e veículos”, lamentou Bandeira.

O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) é produzido pela Petrobras como resíduo da gasolina. A partir daí, ele é revendido majoritariamente para quatro distribuidoras, que controlam 80% do mercado no país, segundo Bandeira. Essas vendem para as revendedoras, espalhadas por todo o Brasil.

De acordo com o Sindicato das Revendedoras, o aumento anunciado pela Petrobras incide sobre 50% do preço vendido pela Petrobras às distribuidoras – o restante dos gastos é em impostos, logística, pagamentos. Porém, as distribuidoras repassam o reajuste no valor integral às revendedoras, segundo Bandeira.

“A revenda está sofrendo mais com isso do que a Petrobras. Eles repassam e ponto final e a revenda, como tem concorrência acirrada, não consegue repassar o aumento inteiro e tem esses problemas. O gás de cozinha tem um cunho social muito forte, as famílias de baixa renda usam-no para fazer os alimentos todo dia”, explica.

Vendas

As vendas vinham em aumento desde o começo da pandemia, segundo Bandeira. Reflexo das famílias preparando o alimento em suas casas, ao invés de saírem para restaurantes. Porém, recentemente houve a estagnação no mercado e o preço em constante elevação preocupa o setor.

“No começo da pandemia migrou do industrial para o comercial. A gente viu no mês passado que isso estabilizou, a gente sabe que há regiões em que o pessoal tem usado mais o fogão a lenha, o próprio aumento do gás induz a maus usos”, conjectura.

Restaurantes também apresentam dificuldades

No comércio, o clima também é de lamentação. A pandemia atingiu diretamente o setor; em um período de retomada do movimento, os problemas com a inflação podem, segundo o diretor comercial da Via Gastrônomica de Criciúma, Leandro Vettorazzi, ser a “pá de cal” sobre muitos restaurantes.

“2020 está sendo um ano para os fortes. Muitos já ficaram no caminho com a pandemia. Os produtos da refeição aumentaram, agora também o gás. Vai impactar muito”, lamenta. Ainda em busca da retomada completa do movimento, em um período em que ainda há o temor das pessoas em sair de casa, os custos para os restaurantes aumentam e é difícil repassar aos clientes.

“Não temos condições hoje de repassar esse percentual de aumento em uma refeição. O gás é essencial, todas as casas precisam. No encanado já teve aumento no mês passado, de 2,5%. No momento, todo mundo corta gastos e enxuga o máximo que pode, isso vem como mais um balde de água fria naquilo que pretendíamos de aumentar o movimento. Para o setor é desastroso”, completa Vettorazzi.

Custos

Proprietário de dois restaurantes, o custo somado com gás para Vetorazzi chega perto dos R$ 7 mil por mês. “O gás é uma das coisas que mais se usa, o restaurante não funciona se não tiver. Com certeza (esse aumento) vem para dar mais uma travada naquilo que já não andava direito”, lamenta.

O reajuste do gás de cozinha foi anunciado ontem pela Petrobras, com validade imediata

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