Criciúma: Construção civil está otimista com retomada em meio à pandemia

Confiança dos empresários bate recorde em nível nacional; em Criciúma, aumentam os pedidos para novas obras

Registro de conclusão dos prédios diminuiu em Criciúma com o início da pandemia (Foto: Guilherme Cordeiro/TN)
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O setor da construção civil, um dos mais importantes da economia criciumense, mantém-se otimista com a retomada em meio à pandemia do novo coronavírus. Um levantamento nacional realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) indica que o Índice de Confiança do empresário atingiu o maior nível desde 2014, com um aumento de 3,7% em outubro, chegando aos 95,2 pontos.

Na região

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A tendência nacional é seguida no Sul catarinense. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Criciúma (Sinduscon), que abrange a Amrec e a Amesc, a expectativa pessimista do início da pandemia não se concretizou e os juros baixos registrados no país devem alavancar o setor.

“O principal fator que a gente levanta é a queda dos juros. Os recursos disponíveis se voltam para a construção civil, que historicamente sempre foi um investimento seguro, com solidez. Com o baixo rendimento nos mercados de aplicação financeira, o retorno da construção civil pareceu mais atrativo. Os imóveis valorizaram”, avalia o presidente do Sinduscon de Criciúma, Mauro Cesar Sônego.

Habite-se

Em Criciúma, Sônego destaca a manutenção dos índices do registro de novas construções. Segundo dados da prefeitura, houve um aumento de metros quadrados a serem construídos no município no primeiro semestre de 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado: saltou de 155 mil metros quadrados para aproximadamente 274,7 mil (números arrendados).

Esse aumento deve-se, especialmente, ao setor de construção comercial licenciado no mês de fevereiro. No entanto, no registro do habite-se, quando as obras já estão concluídas, houve queda no município: de 176,4 mil para aproximadamente 42,2 mil metros quadrados. “Foi uma queda por conta da pandemia, mesmo. Uma espécie de recesso, mas agora novas obras estão iniciando”, justifica Sônego.

No Brasil, as vendas diminuíram 11% neste primeiro semestre, o que, de acordo com o presidente do Sinduscon, não é tão impactante para o setor.  “As construtoras não iniciaram novas obras nesse período de incertezas. Elas venderam o que tinha em estoque e o nível de estoque do país caiu 50%”, aponta.

De acordo com Sônego, alguns segmentos apresentaram maior estabilidade nos índices no período de pandemia, como as habitações populares e as de alto padrão. No entanto, as obras sobre encomendas tiveram impacto.  “No início da pandemia, primeiros três meses, talvez 50% dos contratos foram congelados. O que tinha para iniciar, não iniciou”, pondera.

Inflação

Pegou de surpresa o setor o aumento do custo de produção, decorrente da subida dos preços dos materiais para a construção civil, ocasionada pelo dólar alto e pelas paralisações do início da pandemia. No entanto, os preços ainda não são refletidos no mercado.

“Os aumentos desse preço ainda não foram repassados para o produto final na integralidade, o que vai acontecer ali na frente. Uma obra que não terminou, mas está 80% executada, por exemplo, foi vendida com o preço antigo. Dá para absorver os maiores custos dos 20% finais”, detalha Sônego.

Levantamento da FGV registra a inflação de 4,12% dos materiais e equipamentos para o setor, neste mês de outubro. O Índice Nacional de Custo da Construção-M (INCC-M), que registra a variação de preços da construção civil nacional, teve alta de 1,69% em outubro deste ano, superior aos 1,15% observados em setembro.

Próspera recebe novos prédios

Na Amrec e Amesc, o setor da construção civil emprega diretamente 7 mil pessoas, sendo 3,5 mil em Criciúma; números que aumentam se levar em consideração os trabalhadores informais. Segundo Sônego, no município a região onde há elevação de novas construções é na Próspera, enquanto Comerciário e zona central permanecem com o mesmo panorama.

O Sinduscon iniciou neste mês tratativas para alterações técnicas urbanísticas no plano diretor de Criciúma, além de novas isenções fiscais para tentar fomentar as construções. “São sugestões de área fiscal, por conta da pandemia, e do plano diretor, questões mais técnicas mesmo. Estamos conversando com o poder público”, conclui Sônego.

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