BR-101: congestionamentos aumentam em 30% o custo do Transporte de Carga

Repasse do valor da mercadoria ao consumidor final chega a 13% e Estado deixa de arrecadas R$ 6 bilhões por ano em razão dos problemas de trafegabilidade

Lucas Mendes / Arquivo TN
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Érik Borges

Criciúma

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Os congestionamentos na BR-101, de Criciúma a Navegantes, aumentam em 30% o custo do transporte rodoviário de cargas no Estado. Isso porque um estudo encomendado pela Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) aponta que esse custo adicional, ao consumidor final, pode chegar a 13% sobre os produtos. Além disso, os problemas de trafegabilidade fazem com que o Estado deixe de arrecadar cerca de R$ 6 bilhões por ano em tributos.

De acordo com Mauri Rabaiolli, presidente da Fetrancesc, o problema das rodovias catarinenses é grave. “Nós temos vários gargalos nas passagens. Objetivo desse estudo foi de levar ao conhecimento das autoridades de quanto nós perdemos nos grandes congestionamentos e nas BRs em Santa Catarina. O impacto não é apenas para o nosso setor, mas para toda sociedade”, diz Rabaiolli.

Ele explica que cada motorista tem o custo/hora fixo e um congestionamento prolongado traz enorme prejuízo a todos. “Com esse estudo, foi possível provar para a sociedade o impacto que tem o setor de transporte em toda sociedade”, declara Rabaiolli.

Ainda conforme o presidente da Fetrancesc, embora a concessão da BR 101 Sul contar com investimento de R$ 7 bilhões até o fim do contrato, não se sabe se isso ainda é suficiente pra fazer frente à demanda de veículos que circularão na rodovia até o fim da concessão.

Tirar os veículos longos

A Fetrancesc está estudando tirar os caminhões que percorrem longa distância nas rodovias e substituir por cabotagem (navegação entre portos). “Nós entendemos que a longa distancia vem cada vez gerando muitos custos e uma receita insignificante, devido à falta de estrutura e aos riscos trabalhistas (jornada de trabalho, etc)”, revela Rabaiolli.

Mauri também aponta as ferrovias como uma forte necessidade para a economia. “Embora a gente seja do ramo rodoviário, temos que ter a cabeça aberta para as mudanças que devem acontecer no Brasil”, ressalta Rabaiolli.

Por outro lado, ele também destaca a importância dos caminhões, que entram na indústria para coletar mercadoria, vão até o interior (lavouras) e podem realizar o trabalho de colocar os produtos nos terminais de cargas e nos possíveis terminais de ferrovia. “Não há como fugir disso”, pontua Rabaiolli.

O estudo contou com a liderança do professor da (Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Gean Carlos Fermino, que é também consultor de negócios e integrante da Fundação de Apoio à Educação, Pesquisa e Extensão da Unisul. Dos apontamentos que a equipe dele fez, 97 indicadores de propensão a congestionamentos foram revelados.

“A gente desenvolveu modelagens e simulações práticas da via, com cálculos de engenharia e dados estatísticos. Depois de fazer análise de todo o trecho ,a gente subdividiu em pequenos trechos, para saber como cada um interfere no total”, explica Fermino.

O estudo, que teve seis meses de duração, apostou que os custos fixo das empresas com os motoristas chega a 93% acima do ideal em alguns trechos de Criciúma a Navegantes, dependendo do horário das viagens.

Além disso, há o custo socioambiental, com o consumo desnecessário de diesel, que pode chegar a 11%. “Imagina isso multiplicado por ano e o valor financeiro impactado numa frota que tem dezenas e centenas de caminhões. Isso começa a encarecer o produto e ele vai resultar exatamente no consumidor final”, relata Fermino.

Ele diz que por conta das frotas sobrecarregas e de não haver vias triplicadas, além de anéis viários para desafogar o trânsito, o país deixa de ter uma cadeia produtiva mais efetiva.

Do total analisado de 298 quilômetros, 35 quilômetros da média da viagem o veículo está entre as velocidades 0 km/h (parado) e 9 km/h (quilômetros por hora), enquanto em um trecho de 45 quilômetros o veículo está a média de 26 km/h. “Essas restrições de trafegabilidade (filas) causam um grande impacto negativo no trajeto que o motorista faz”, diz Fermino.

Na média de velocidade de 39 km/h, o veículo costuma permanecer por 57 quilômetros de trecho de rodovia. Já a média de 50 km/h está presente em aproximadamente 37 quilômetros de estrada. Ou seja, Mais de 1/3 (um terço) de 298 quilômetros de pista são de fortes restrições à trafegabilidade.

Transitando a uma média de velocidade de 39 km/h, os custos financeiros fixos das empresas podem chega a um acréscimo de até 170%, enquanto as chances de perdas de oportunidades de negócio podem se agravar em oito vezes.

Com base no valor do frete, o custo por tonelada por quilômetros rodado, 12,77% poderiam ser economizados. “Esse é um valor representativo para a cadeia produtiva”, destaca Fermino. A perda em arrecadação de ICMS, por mês, pode chegar a R$ 6 bilhões.

 

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