Alta nos preços e baixa procura: venda de notebooks cai até 70%

Comerciantes de Criciúma relatam diminuição nas vendas de informática e nem a Black Friday empolga lojistas do setor em Criciúma

Volume nas vendas no Brasil caiu em 12% neste segundo trimestre (Foto: Guilherme Cordeiro/TN)
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O mercado de notebooks e desktops aqueceu no começo da pandemia, reflexo da grande procura pelos equipamentos para o trabalho remoto. Porém, os altos preços, impulsionados pela valorização do dólar, resultaram na diminuição das vendas no segundo trimestre deste ano, de acordo com levantamento feito pela IDC Brasil, consultoria especializada: -12,6% do volume em comparação com o ano passado.

Em Criciúma, nem a proximidade da Black Friday anima os lojistas: é quase consenso entre os comerciantes a redução das vendas após o período entre abril e junho, quando o comércio local reabriu e a procura por equipamentos para o home Office estava em alta.

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Black Friday

Se por um lado os principais sites de venda online já anunciam descontos da Black Friday, cuja data oficial é no dia 27 de novembro, as lojas físicas não demonstram a mesma empolgação. Com o dólar alto e a baixa procura pelos notebooks, a estratégia de alguns gerentes é pela ampliação do prazo de pagamento, pois não há como baixar o preço.

O gerente de uma loja de informática no centro de Criciúma, Carlos Prigol, é testemunha dessas alterações no valor do produto, as mudanças do perfil do consumidor durante a pandemia e o susto pelo preço mais alto.

De acordo com Prigol, no ano passado a loja trabalha com 20 modelos de notebook. Hoje, com o aumento dos preços, reduziu para três. “Não vale a pena comprar mais, fica tudo em estoque”, afirma. Grande parte das peças na montagem do notebook pelas principais marcas são importadas, portanto o aumento cambial resultou na disparada dos preços.

Preços aumentaram menos do que o dólar

A IDC Brasil avalia que houve um aumento de mais de 60% nos preços dos notebooks e desktops de abril de 2019 até abril deste ano no país. Além da alta do dólar, houve também as mudanças na cobrança do IPI e do ICMS.

Na comparação traçada pela IDC, entre abril de 2019 e de 2020, o dólar subiu de R$ 3,92 para R$ 5,43, aumento de 72,1%. Quase o mesmo aumento entre o preço dos notebooks, que foi de 62,6%. Ontem, o dólar estava na cotação de R$ 5,42.

No comércio criciumense, segundo Prigol, um modelo simples saía no ano passado por R$ 1,5 mil. Hoje, não se encontra por menos de RS 2 mil. O modelo um pouco mais potente, com o processador Core I3, antes custava R$ 1,8 mil e agora está por volta de R$ 2,7 mil.

Esse “aumento incrível ocasionado pela alta do dólar”, nas palavras do gerente, mudou o perfil do cliente e representou uma queda de 80% do volume de vendas e uma queda de 50% do faturamento mensal.

“Hoje a diminuição na busca é por causa do valor. Às vezes vale até mais a pena comprar um desktop, porque a montagem barateia o custo. Podemos montar um computador enxuto, de acordo com as necessidades do cliente”, destaca Prigol.

Entrega

Outra questão levantada pelo gerente é o atendimento remoto, uma quase lei implantada em diversos setores da economia com a chegada da pandemia.

“A gente sente o pessoal inseguro, até por causa de eleição, preço do dólar e possibilidade de fechar o comércio novamente. Não tem mais aquela compra no impulso. A gente reaprendeu a vender, começou o atendimento por Whatsapp e a entrega do produto em casa. Se for esperar o cliente entrar na loja, não vende”, detalha.

Em estoque

Em uma loja de eletrônicos também no centro de Criciúma, a queda nas vendas de junho até agora nos notebooks é avaliada em até 70%, na contramão dos demais produtos, como celulares e televisores, por exemplo, cuja avaliação é positiva e superior ao ano passado. “Nós estamos agora com muito notebook em estoque, especialmente os de primeira linha. Aumentou muito o valor e o pessoal resiste”, avalia.

Na Black Friday, Galvan destaca que as promoções devem chegar mais próximas à data oficial. A expectativa é por um incremento nas vendas de 20% ao ano passado. Já Prigol não demonstra tanta confiança. “O dólar teria que baixar para a gente fazer uma compra melhor e repassar para o cliente. Muitas lojas estão apostando em uma venda parcelada e não no desconto”, justificou.

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