2021 traz a expectativa da retomada econômica

Especialistas afirmam que 2020 foi o pior ano para a economia da história contemporânea

Foto: Arquivo/TN

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Gustavo Milioli

Criciúma

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Foi intenso, duradouro, desafiador e desgastante, mas enfim, chegou ao fim. 2020 foi encarado por muitos como o ano mais difícil de ser vivido. Logo no terceiro mês, uma pandemia global obrigou boa parte do mundo a um confinamento histórico que até hoje não voltou completamente ao normal. Com isso, no Brasil, ao menos 1,5 milhão de trabalhadores perderam o emprego, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Previsões catastróficas para a economia nacional passaram a se proliferar, mas, felizmente, o saldo final não foi tão ruim como se esperava.

“No início da pandemia, pelos dados do Banco Central, se imaginava que o PIB do Brasil cairia em até 8%. A expectativa era de a queda ser muito brusca”, afirma Alcides Goularti Filho, doutor em Economia e professor do curso de Ciências Econômicas da Unesc. De acordo com as análises mais recentes, o especialista acredita que o ano acabará com uma retração de 4,5% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Ainda assim, será a maior queda registrada em quase um século.

“Excluindo-se a crise mundial dos Anos 30, será o pior resultado da história. O recorde negativo do Brasil. Recentemente, a maior queda havia sido em 2016, com 3,6%”, informa Goularti. O que seria considerado um desastre em tempos ‘normais’, virou motivo para comemoração. Na visão do economista, o auxílio-emergencial pago pelo Governo Federal aos brasileiros foi de primordial importância para manter o equilíbrio nas contas.

“Dentre todos os fatores, disparado na frente fica o auxílio. Esse foi o grande colchão que evitou que a economia desabasse. Criou uma massa de renda na sociedade brasileira, no mercado de consumo, que reverteu essa queda mais acentuada no PIB”, ressalta. A ‘ajuda’ deixou os brasileiros desempregados em condições de se manterem ativos, refletindo positivamente no comércio, agronegócio e indústria.

Salvador da pátria

A Caixa Econômica Federal divulgou na semana passada que, até o momento, R$ 288,7 bilhões já foram repassados aos cidadãos ao longo de 2020, por meio deste benefício. Ainda não há a confirmação se o auxílio-emergencial continuará a ser distribuído no próximo ano. “Se ele for cortado, irá jogar na miséria praticamente 14 milhões de brasileiros. É importante lembrar que esse projeto foi criado pelo Legislativo, e o Executivo precisou cumprir na marra. Agora, se terá continuidade, fica a grande dúvida”, afirma Goularti.

Após esse ano difícil, a expectativa pela retomada econômica no país em 2021 está alta. Entretanto, as projeções otimistas levam em conta que, nos próximos meses, os brasileiros já estejam tomando a vacina para a Covid-19. Caso contrário, os rumos não serão nada positivos. “Na Europa e Estados Unidos já começaram. No Chile, Argentina, México e Costa Rica, também. O nosso plano de vacinação prevê o início no final de fevereiro, ou no início de março. Depois de um tombo grande, se espera que qualquer movimentação tenha um efeito positivo na economia. O desafio será manter durante os próximos cinco anos um crescimento de 4% por ano”, salienta. “Sair de um tombo enorme e logo depois crescer 3% é fácil, difícil será continuar com a tendência de crescimento”, afirma o professor.

Realidade regional

A Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) pode se vangloriar de chegar ao fim de 2020 com números melhores em relação ao mesmo período do ano passado. A taxa do Valor Adicionado – que nada mais é do que a riqueza produzida por cada município – teve um aumento de 2,5% na região.

O medo imposto pelo lockdown do início da pandemia no Sul trouxe o receio de as Prefeituras chegarem ao final do ano precisando parcelar salários, não ter verba para o pagamento do 13º e ficar com as contas no vermelho. Passados alguns meses de baixa, a economia recuperou o crescimento impulsionado pelo agronegócio. “Municípios que vivem disso praticamente não sofreram em nada com a crise, na verdade até aumentaram a produção. Na região quem mais se destacou foi Forquilhinha, com 23% de crescimento. Os que vivem mais da indústria, comércio e serviços, como é o caso de Criciúma, não conseguiram ter o mesmo desempenho de 2019”, comenta o coordenador econômico da Amrec, Ailson Piva. A Capital do Carvão totalizou -4,90% em relação ao último ano.

A tendência é que os primeiros meses do ano que começa à meia-noite dessa sexta-feira ainda seja de instabilidade para Criciúma e as demais cidades industrializadas. “Esperamos que até a metade do ano já volte à normalidade tanto o comércio quanto os serviços e que, a partir de então, retorne o crescimento”, projeta Piva.

O coordenador acredita que os trabalhadores que foram demitidos devido à pandemia na região, em sua maioria, já foram contratados novamente. “Aquelas vagas perdidas já foram realocadas, já houve a geração de empregos para reverter aquele descompasso inicial. A diferença entre empregos perdidos está quase equalizada. Agora, a meta para 2021 será terminar o ano no azul”, finaliza.

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