Urussanga: Açaí é fonte de renda e de nutrientes

Fruta é originária da palmeira-juçara, nativa da Mata Atlântica. Polpa produzida pode ser consumida com cereais e banana

Foto: Lucas Colombo/TN
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Pouco antes da década de 40, cobrindo um terço do território catarinense, a palmeira-juçara, nativa da Mata Atlântica, era destaque na produção do palmito, que na época se tornou fonte de renda para inúmeros agricultores. Com o passar do tempo, a espécie acabou passando por um período de extinção, devido ao número alto de indústrias que realizavam sua extração. Hoje, o cenário é um pouco diferente e o risco de desaparecimento da espécie é menor. Nela, somente o cultivo do palmito era vislumbrado, mas um pequeno fruto, de cor roxa, se tornou uma opção para os produtores. Conhecido como o “açaí catarinense”, a fruta é transformada em polpa e pode ser consumida junto à cereais e banana.

O administrador de empresas e produtor, Giuliano Galli Santana junto ao colega Edson Alano, ambos proprietários de uma área rural no bairro Pirago, em Urussanga, viram uma oportunidade de investimento através do fruto. Após muitas conversas, descobriram que um vizinho possuía uma despolpadora e partir daí, tiveram um resultado impressionante. “A ideia inicial é propagar e disseminar o fruto da palmeira-juçara e o produto que a gente consegue transformar ele, que é irmão do açaí. O intuito é fomentar esse item que é daqui do nosso bioma, da Mata Atlântica, e trazer um pouco do que temos aqui na região. É um fruto bem rico de nutrientes e poucas pessoas conhecem”, ressalta.

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A marca de produtos originária do açaí juçara, o “Pirago Natural”, ainda é experimental, mas já vem trazendo resultados positivos. Em uma área com aproximadamente 7 mil m2, localizada no bairro Pirago, o fruto é selecionado e encaminhado à despolpadora para ser embalado em opções de um litro e 120 mililitros. “A ideia é resgatar o nome do local e o natural que vem após é para indicar que o fruto não possui nenhum componente industrializado. É a polpa pura, só a fruta e água que vai no processo”, acrescenta Santana.

Cultivo e safra da palmeira

Através do Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina (IFFSC) sabe-se que há, em média, 22 plantas de palmeira-juçara por hectare no componente arbóreo e arbustivo dos remanescentes da Floresta Ombrófila Densa (FOD). O número é considerado preocupante visto que nesses ambientes devem haver mil espécies por tipo a cada hectare.
A safra ocorre entre julho e meados de novembro. Depois desse período, entre dezembro e junho, o processo é tomado por uma entre safra, onde os cachos caem e novos começam a brotar. “Quando estamos na produção, conseguimos fazer 500 quilos. Não é muito, mas para a nossa região e o que temos de vazão, é o suficiente. Porém estamos com um projeto para daqui uns três anos termos aproximadamente dez hectares de produção”, ressalta o produtor.

De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/SC), as perspectivas de aumento da área plantada são bastante promissoras no estado e aproximadamente 30% do território catarinense é apto e favorável ao cultivo da típica palmeira. “Além de nós produzirmos o açaí com esse aspecto natural, saudável e com qualidade nutricional, acabamos apoiando essa espécie do nosso bioma. Não precisamos derrubar a palmeira para colher os frutos, então acabamos colaborando para manutenção dessa espécie que ainda é ameaçada de extinção, no passado já foi mais, mas esses projetos acabam se tornando vantagem”, acrescenta Santana.

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