Indústria e comércio acentuam queda econômica da Amrec

Dentre os municípios com pior desempenho está Morro da Fumaça, que projeta recuperar prejuízos no segundo semestre

Setor têxtil é um dos fatores que levam Morro da Fumaça a ter grande queda de produção (Foto: Lucas Colombo/TN)
- PUBLICIDADE -

A Amrec apresentou maior queda econômica em relação à média estadual no ano de 2020. A diminuição da produção industrial, de comércio e agropecuário é relacionada à pandemia, o que na região representou a perda de quase R$ 1,4 bilhão no Valor Adicionado, ou seja, retração de 24,76% dessas atividades econômicas nos primeiros seis meses do ano. A cidade com maior perda percentual é Morro da Fumaça, com -45,52%. Em comparação, a média estadual foi de -20,20% no mesmo período.

De acordo com Ailson Piva, coordenador do movimento econômico da Amrec, a industrialização não relacionada ao agronegócio justifica a perda na região. Morro da Fumaça apresentou maior retração pelo fato de ter alta produção do setor químico, especialmente de plástico, e têxtil. “Nas malharias, a facção não trabalhou, está diretamente ligada ao comércio. O comércio derrubou bastante, especialmente Criciúma e Cocal do Sul”, destacou o economista.

- PUBLICIDADE -

O secretário de Sistema Econômico de Morro da Fumaça, Roberto Caetano, recebeu com surpresa e preocupação o levantamento da Amrec. Essa diminuição na geração de riquezas pode impactar a economia dos municípios no ano que vem, pois é base de cálculo para o repasse de ICMS do governo do Estado. No entanto, a expectativa é de que no segundo semestre parte desse prejuízo seja recuperado.

“Nós vínhamos com um incremento de 11 a 13% de crescimento econômico, agora tem esse impacto violento. A gente não vai medir esforços para trazer a economia de volta ao patamar anterior. Ainda estamos avaliando as medidas, infelizmente é um impacto que atingiu bem no centro do coração”, lamenta Caetano.

Novo parque industrial

O prefeito Agenor Coral, lembrou as férias coletivas de uma grande empresa do setor cerâmico, no começo da pandemia, que pode ter contribuído para a queda do valor adicionado nos primeiros seis meses.  “Acredito que no segundo semestre, com o setor de construção civil que está em pleno aquecimento, consiga melhorar esse valor de arrecadação”, projetou.

Até o fim do ano, Morro da Fumaça pretende instalar o primeiro parque industrial, em uma área de mais de 60 mil metros quadrados, de acordo com o prefeito. “O município não pode parar. Essa é a primeira área industrial, algumas empresas que pagam aluguel vão procurar o município para ter um terreno, talvez ela não dê um retorno tão bom de início. O próximo gestor já tem que pensar em uma segunda área que teria um aquecimento mais forte”, afirma Coral.

Diversificação econômica

Há algumas décadas, Morro da Fumaça teve o crescimento econômico impulsionado pelas olarias. Nos últimos 20 anos, de acordo com o prefeito Agenor Coral, houve uma redução de 70 a 80% das indústrias do setor, o que ocasionou a diversificação industrial no município.

A estimativa do prefeito é de que atualmente 600 trabalhadores estejam empregados no setor, atuando nas empresas que conseguiram manter-se competitivas no mercado nos últimos anos. A perspectiva é de que das aproximadamente 120 olarias que já atuaram em Morro da Fumaça, cerca de 30 ainda estejam abertas.

“Antigamente ninguém sabia o que fazer e montava uma cerâmica. Chegou um tempo de muita produção para pouca demanda. Alguns não investiram e mudaram para outro ramo. Hoje, das poucas cerâmicas em funcionamento, muitas estão bem montadas e se mantêm competitivas no mercado”, justifica o prefeito.

Agronegócio puxa média para cima

A Amesc, que tem a economia mais voltada ao campo, teve queda menor do que a média estadual, de 18% da produção de riqueza. É o mesmo exemplo do Oeste catarinense, que segundo Piva, fez com que o Estado apresentasse queda menor. “Os municípios da Amrec ligados ao agronegócio tiveram a menor queda, que é Forquilhinha, Nova Veneza, Lauro Müller e Orleans”, aponta o economista.

Perda de empregos

O levantamento econômico estadual aponta ainda para a perda de mais de 54 mil vagas de emprego em Santa Catarina: destes, mais de 2,2 mil foram na Amrec. 72% dessas perdas foram em Criciúma, que teve queda de 1,6 mil postos de trabalho: o principal setor atingido foi o comércio, com -918.

Sul abaixo da média

Em 2019, a Amrec apresentou melhora na economia em relação a ela mesma em 2018, com aumento de 5,57% de valor adicionado, totalizando R$ 11,1 bilhões. Ainda assim esteve abaixo da média estadual, que foi de 7,47%. De acordo com Piva, a dificuldade do Sul catarinense em acompanhar as demais regiões do Estado é pela demora nas melhorias de infraestrutura.

“Nós não temos aeroporto, o Porto agora que funciona mais ou menos. Demoramos a receber investimento do governo federal e estadual em infraestrutura. Ficamos muito atrasados e a maioria dos investimentos pesados, como por exemplo a BMW, se instalou no Norte do Estado, que cresce até 12% ao ano”, explicou.

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.