Editorial: Amizade e inimizade

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O ano de 2018, principalmente o final dele, após as eleições, mostrou uma triste ruptura entre amigos e parentes. No Natal, famílias, que sempre estiveram juntas, simplesmente não estavam mais. Porquê? Apenas por não concordar com a opinião política do outro.

Ok, você pode me dizer que gente que apoia político A ou B, está sendo favorável a “atitudes injustificáveis”. Mas eu imagino que você teve alguma razão para considerá-lo seu amigo. Se em algum momento de sua vida houve algum laço de amizade entre vocês dois, não seria uma atitude mais razoável tentar abrir alguma linha de diálogo?

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Se em algum momento você foi amigo de uma pessoa, por que simplesmente limá-la da sua vida sem antes tentar compreender melhor suas ideias, convicções, argumentos? Esse discurso nocivo de divisão do país, que foi disseminado sem que haja um mínimo de reflexão crítica sobre as consequências de se romper um laço de relacionamento.

Pior ainda no que diz respeito às famílias. Pais e filhos. Irmãos. Tios. Avôs. Brigando por não concordarem com a opção do próximo. E não se esqueçam, estamos em um país democrático, onde todos têm o direito de apoiar quem quiser e manifestar suas opiniões.

Além do mais, é necessário o cuidado para não entrar em uma bolha. No momento em que se fecha para apenas para quem tem a mesma opinião que a sua, você vai deixar de acompanhar todos os lados do mundo, bloqueando e excluindo vozes dissonantes, que de qualquer forma, não deixarão de existir.

O escritor Milan Kundera foi preciso ao falar dos desafios que uma amizade enfrenta quando submetida ao desafio de opor duas convicções opostas. Vale pensar nas reflexões feitas por Kundera:

Em nosso tempo, aprendemos a submeter a amizade ao que chamamos de convicções. E até mesmo à fidelidade de uma retidão moral. De fato, é preciso ter muita maturidade para compreender que a opinião que defendemos é apenas nossa hipótese preferida, necessariamente imperfeita, provavelmente transitória, que apenas os mais obtusos podem transformar em uma certeza ou verdade. Ao contrário de uma fidelidade pueril a uma convicção, a fidelidade a um amigo é uma virtude, talvez a única, a derradeira. Hoje, eu sei: na hora do balanço final, a ferida mais dolorosa é a das amizades feridas. E nada é mais tolo do que sacrificar uma amizade pela política.

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