Conflito entre EUA e Irã impacta diretamente no preço dos combustíveis

Instabilidade no Oriente Médio causa impactos na região Sul

Suelen Bongiolo / TN Sul
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Érik Borges

O conflito entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irã ganhou novos capítulos ontem, após dois ataques às bases iraquianas que também contam com soldados americanos no local. O principal impacto causado na Região Sul de Santa Catarina é o aumento no preço dos combustíveis. O economista e professor da Unesc, Ismael Cittadin explica que em razão da tensão nos mercados internacionais, as cotações do barril de petróleo na bolsa de valores de Londres e Estados Unidos acabam refletindo essa incerteza. “Uma expectativa de corte da oferta do produto devido às instabilidades na região causa um aumento nos preços. Além disso, o Irã pode exercer controle sobre uma das principais rotas de comércio de petróleo do mundo”, ressalta Cittadin, que é Mestre em economia pela PUC-RS e doutorando pela Unisinos. Ele relembra que, no mês anterior, o Irã atacou um petroleiro do Reino Unido.

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Segundo Cittadin, as sanções dos EUA agravaram a crise econômica já acentuada, causando uma forte desvalorização para forçar o Irã a dialogar e fazer concessões com relação à área nuclear. “O aumento do preço do combustível também se dá em relação à variação do câmbio, com a valorização do dólar e a desvalorização do real. Isso acontece em razão da redução da taxa de juros. A taxa selic diminuiu consideravelmente e isso desmotiva o capital estrangeiro aplicado com essa taxa de juros tão baixa”, explica.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump realizou um pronunciamento sobre o conflito com o Irã. Ele amenizou os ataques sofridos nas bases iraquianas que também contam com a presença de soldados americanos. Ele afirmou que ninguém se feriu e disse que o Irã parece estar recuando. De acordo com o economista Cittadin, o prognóstico para um conflito mais sério diminuiu bastante. “O efeito do preço do diesel no frete é o principal componente de custo das transportadoras, juntamente com os encargos trabalhistas. Porém, o aumento no preço do combustível tem maior impacto na inflação do que no aumento do preço dos produtos, porque o comerciante não repassa imediatamente o preço do produto ao consumidor final”, conta.

Exportação de commodities ao Irã

As exportações ao Irã, em 2019, totalizaram R$ 9,1 bilhões ao Brasil. O superávit foi de R$ 2,2 bilhões. O principal produto exportado do Brasil aos iranianos é o milho. “A maior parte de exportação para o Irã são de commodities (alimentos e matérias-primas). Essa balança comercial vai ser pouco afetada, porque elas são estáveis”, explica. No momento, a exportação ao Irã já passa por algumas complicações. Isso porque os bancos estão receosos com a instabilidade no país e estão dificultando os financiamentos que os importadores precisam fazer. “É natural que os bancos aguardem um pouco até que essa situação fique menos confusa. Mas a tendência é que, nos próximos dias, as coisas se acalmem um pouco”, projeta.

Entenda o caso

Uma série de conflitos históricos e desentendimentos marcam a história de EUA e Irã. Porém, entre 2009 e 2017, o presidente americano Barack Obama tentou se reaproximar do Irã. Em 2013, chegou a manter uma conversa telefônica com o presidente iraniano, após 43 anos (1970) desde o último contato. Tentativas de acordo para que o Irã interrompesse o enriquecimento de urânio visando a fabricação de armas nucleares foram realizadas. Em troca, os EUA retiraria as sanções econômicas sobre o Irã. Porém, sem sucesso.

Com a eleição de Donald Trump, os Estados Unidos, o presidente cancelou o acordo e retomou o embargo. Dessa forma, o clima de tensão entre os dois países retomou com intensidade. O governo do Irã promete fechar o acesso ao Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao restante do planeta. Essa é uma rota fundamental para o comércio, principalmente do escoamento da produção de petróleo no mundo.

O governo do Irã os EUA de invadir frequentemente o território iraniano para ter acesso a áreas em que o Irã considera como estratégicas. Já o presidente Donald Trump acusa o Irã de oferecer riscos nucleares ao ocidente e de financiar grupos terroristas que alimentam o ódio contra americanos e ao ocidente.

Em entrevista coletiva, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo apoia qualquer medida de combate ao terrorismo. Além disso, demonstrou preocupação com a oscilação do preço do petróleo e declaro uque pretende manter relações comerciais tanto com os EUA como também com o Irã.

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