Com projeto parado, surge a ideia de um novo destino ao Porto Seco

Obras de pavimentação, necessárias para receber as empresas interessadas em se instalar no local, seguem sem prazo para serem realizadas. Município estuda formas de aproveitar o potencial da área

Foto: Guilherme Cordeiro/TN
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Thiago Oliveira
Criciúma

Idealizado como solução para o transporte e a logística criciumense, impulsionando a economia e ajudando na melhoria do trânsito, o projeto do Porto Seco já atravessou décadas. Mas continua no papel.

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Com a pandemia e a consequente queda na arrecadação tanto do Município e Estado, quanto dos próprios empresários, a pavimentação do entorno, que é a grande reivindicação do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Sul de Santa Catarina (Setransc), segue em compasso de espera.

Em julho, o assunto voltou a ganhar destaque em uma reunião entre a Associação Empresarial de Criciúma (Acic) e o prefeito Clésio Salvaro (PSDB). “A Câmara se comprometeu a destinar recursos para essa obra, assim como o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Júlio Garcia, e os empresários também vão fazer aportes para concluir a pavimentação. Por que não viabilizar urgentemente o Porto Seco?”, questionou o presidente da Acic, Moacir Dagostin, solicitando o empenho do município nesse sentido. “O Porto Seco vai ser pavimentado, mas primeiro, vamos dar atenção às áreas industriais”, afirmou Salvaro.

No último orçamento realizado pelo Setransc, a pavimentação, maior necessidade para o acesso, custaria cerca de R$ 6 milhões. “Por que tanto? Porque trafega muito peso. Não pode ser qualquer asfalto. O conselho dos engenheiros é que nos cruzamentos onde as carretas manobram, fazer de concreto. Não teria manutenção, mas ficou muito caro. E um asfalto bom, tem uma duração boa”, conta Piuco.

Segundo Dagostin, os recursos inclusive já haviam sido acertados. “No final do ano passado, fizemos uma audiência com o deputado Julio Garcia (PSD, presidente da Assembleia Legislativa), e o que estava delineado é que ele ia conseguir R$ 4,5 milhões do Governo do Estado do Estado. Os vereadores incluíram R$ 1 milhão no orçamento [do município] e os empresários contribuiriam com mais R$ 2 milhões. Mas infelizmente isso não está acontecendo”, conta.

“O Julio Garcia demonstrou vontade em colaborar e acho que ele vai colaborar. Quando fomos visitar ele na Assembleia, veio essa situação da pandemia e parou tudo. Mas a promessa dele de colaborar ainda está de pé. Mas depende muito do governador e ele está em situação complicada financeiramente por causa da arrecadação que caiu muito. Temos que ter paciência. Estamos esperando há 26 anos. Vamos esperar mais um pouco”, conta Piuco. “O Setransc junto com a Câmara de Vereadores está trabalhando muito para que o projeto aconteça. O prefeito está sendo muito capaz para buscar dinheiro em Florianópolis, Brasília, para as obras que a cidade precisa, e o Setransc está contando também com esse apoio dele no sentido de ajudar a buscar dinheiro para que aconteça o Porto Seco, que é muito importante para a cidade como um todo”, completa.

Sobram interessados

O espaço possui quase 30 terrenos disponíveis para a venda, e segundo o presidente da Acic, há inúmeros interessados em se instalar no local. A falta de infraestrutura, porém, é o que segue afastando os empresários, desde os anos 90, quando o projeto teve início.
“Para nós, é uma história velha já. O Sest Senat está instalado ali, tem toda uma parte feita. Tem empresas que estão querendo se instalar. Duas transportadoras já têm projeto na prefeitura para se instalarem ali. E tem mais inclusive. Se fosse feito o asfalto ali, tem um monte de empresa para se instalar.

Uma das sugestões de Dagostin, é que o Porto Seco deixe de ser somente a ‘Cidade dos Transportes”, como foi concebido, para virar um distrito industrial. “Conversamos a respeito disso e também dá ideia de transformar o Porto Seco não só para a instalação de transportadora, mas também de outras indústrias. Vamos ver de que forma podemos viabilizar a concretização não mais de um Porto Seco, mas de um distrito industrial misto, não só transportador, como para todo tipo de empresa. Foram conversas que estão sendo encaminhadas e voltaremos a nos reunir para dar encaminhamento em todo esse processo”, revela.

Prefeitura estuda projeto

Após a reunião entre a Acic e a Prefeitura, o projeto foi encaminhado ao diretor de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Criciúma, Claiton Pacheco, que também vê com bons olhos a ideia de ampliar a atuação no Porto Seco. “Estamos entendendo em que pé que estava, o que tinha acontecido, o que não tinha. Estamos revisitando a questão de ser um Porto Seco apenas, a possibilidade de ter uma zona industrial, de ter outras coisas, e estamos desenhado um projeto novo para apresentar ao prefeito, e em cima disso, encaminhar o futuro dele. Estamos em uma fase de planejamento do que fazer”.

Segundo Pacheco, uma das ideias é fazer uma parceria entre a Prefeitura e o Setransc, dono do terreno, de modo que o Sindicato doaria lotes para o Município, o que ajudaria a abater o valor dos investimentos. “Envolve um investimento bastante grande no que a gente pode fazer. A decisão do município em fazer um investimento ou não vai depender de algumas tratativas necessárias para a gente conseguir dar continuidade. Uma das alternativas que a gente está estudando é a possibilidade de doar uma área para o município, para poder leiloar futuramente e receber os recursos para poder fazer o asfalto, já que todos os terrenos são privados, não são terrenos públicos. A gente vai valorizar esses terrenos se a gente fizer as obras. E em troca disso, fazer as obras e a possibilidade da gente transformar uma parte da obra em uma ZPE [Zona de Processamento de Exportação]”,revela o diretor de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Criciúma. “A gente tem ali o trem passando, ligando até Imbituba, a Ferrovia Tereza Cristina é proprietária de dois terrenos ali dentro na área limítrofe ao trem, então uma zona de exportação é uma das alternativas que estamos estudando para colocar no local. Mas depende muito do projeto apresentar ao prefeito e ele dizer para a gente seguir adiante ou não, readequar, enfim. Depende desta fase ainda”, completa Pacheco.

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