Colocação de redes de arrasto pode prejudicar a procriação dos peixes

Período de defeso da pesca serve para a reprodução das espécies no mar

Foto: Arquivo TN/ Imagem Ilustrativa
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Érik Borges

Araranguá

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A colocação de redes de arrasto em locais inadequados pode acabar prejudicando a reprodução das espécies de peixes no Rio Araranguá. Isso porque, segundo o diretor da Fundação Ambiental do Município de Araranguá (Fama), Luiz Leme, quando alguns pescadores colocam as redes nos lugares onde o rio desemboca, acaba prejudicando a desova e capturando peixes em período de procriação. “O pessoal bota uma rede em cima da outra. Além disso, ocorre de o próprio pescador colocar rede com a malha inadequada. O mar aberto está infestado de redes. Algumas pessoas colocam redes atravessadas na boca do rio Araranguá”, conta Leme.

Segundo ele, outro fator que contribui para a diminuição da presença de peixes no Rio Araranguá é a distância dos barcos pesqueiros, que eventualmente não respeitam a distância necessária da costa. “A entrada dos peixes no rio deve ser respeitada, para poderem desovar, procriar, etc. Alguns peixes precisam entrar no rio, mas eles colocam rede atravessada de fora a fora”, indica Leme. O peixe papa-terra, por exemplo, pode ter sua população reduzida em razão da malha da rede ser muito fina. “Pode demorar anos para recuperar a população de peixes”, projeta.

Luiz recorda que há trinta anos, quando os pescadores, na sua grande maioria, pescavam apenas de tarrafa, os botos apareciam. “O boto não sobe mais o rio porque está crivado de rede. Lá em Laguna, os botos não sobem o rio, porque quando sobem, morrem. Eles têm instinto de preservação”, explica Leme.

De acordo com Luiz, existem pesqueiros comunitários dentro do município de Araranguá. “A gente vê pesca no município e os pesqueiros estão sempre com bastante gente pescando tainha no rio”, ressalta. Ele afirma que é preciso respeitar as áreas de preservação ambiental.

Pesca profissional artesanal

O presidente da Colônia de Pescadores Z16, Willy Heidner, conta que a pesca profissional artesanal está fora de atividade em razão do período de defeso, que dura até março. “Os nossos pescadores ficam todos sem atuar por causa do defeso da anchova, do bagre e da tainha. É a época de procriação”, destaca Heidner. Segundo ele, alguns pescadores amadores não respeitam o período e acabam pescando peixes matrizes e até filhotes. “A pesca profissional artesanal irá de março até junho. Já a pesca industrial dura só um mês, a partir de março”, explica.

Monitoramento

O Rio Araranguá recebe efluentes de toda a região. No ano passado, ocorreu a incidência de peixes mortos no rio. Segundo o diretor da Fundação Ambiental do Município de Araranguá (Fama), uma parceira com a Polícia Ambiental foi realizada para análise do rio nesses momentos que aparecem peixes mortos. “A gente sabe que o rio tem poluição de carvão, agrotóxico e esgoto sanitário. Estamos fazendo um trabalho com o comitê da bacia para fazer o monitoramento do rio”, revela. De acordo com ele, a análise de agrotóxico tem um alto custo financeiro e precisaria de amostras trimestrais ou semestrais para obter parâmetros sobre a poluição.

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