Cidades da região têm mais eleitores que habitantes

É o caso de Ermo e Treviso; condição afetiva pode ser uma das justificativas para o fato

Em Treviso, são 86 eleitores a mais que moradores (Foto: Arquivo/Lucas Colombo/TN)
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Um estudo feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra o que 493 das 5.570 cidades brasileiras, ou seja, 8,8% do total, tem hoje mais eleitores que habitantes. E isso ocorre em dois municípios do Sul. Em Ermo, no Extremo Sul, e Treviso, na Região Carbonífera, justamente as menores cidades de cada região, há mais votantes do que moradores.

Em Ermo, são 2.061 habitantes, segundo a estimativa populacional calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 2.125. Uma diferença de 64 pessoas.

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Já em Treviso, são 3.966 moradores, segundo o IBGE, e 4.052 eleitores. No total, são 86 votantes a mais.

O número de moradores que estão aptos ao voto, porém, deve ser ainda menor. Isso porque crianças e adolescentes menores de 16 anos não podem ser eleitores, e é facultativo para quem tem entre 16 e 18 anos ou mais de 70.

Diferenças

Nos demais municípios da região, a maior diferença entre o número de habitantes e de eleitores está em Criciúma. Dos 217.311 moradores estimados pelo IBGE, 146.371 estão registrados para votar, correspondendo a aproximadamente 67,5%.

Já outras cidades tem uma diferença pequena, como Balneário Rincão, que tem apenas 766 moradores a mais que votantes. São 12.946 habitantes, sendo que 12.180 poderão ir às urnas do município.

Justificativa

A diferença, segundo o consultor da área técnica, da CNM, Eduardo Stranz, pode ser justificada por desatualizações nas estimativas de população feitas pelo IBGE, fraudes e, especialmente, por questões afetivas. “Existe uma ligação muito grande das pessoas com as cidades onde elas nasceram, sobretudo nesses municípios pequenos. Elas migram para cidades maiores, regiões metropolitanas ou cidades-polo em busca de emprego ou estudo, mas não transferem seus títulos eleitorais, isso é muito comum”, avaliou.

Stranz, que há mais de 30 anos trabalha com municípios, lembrou ainda que em cidades menores a disputa política é muito acirrada e as pessoas nascidas nessas localidades têm sempre algum grau de parentesco com os candidatos o que, segundo ele, também contribui para que elas não transfiram seus títulos, o que explica os casos de Ermo e Treviso.

Revisão

Nos casos em que há muita discrepância entre eleitores e habitantes ou que há um aumento da transferência de domicílios, a Resolução 22.586/2007, do TSE, determina que seja feita uma revisão do eleitorado sempre que for constatado que o número de eleitores é maior que 80% da população, que o número de transferências de domicílio eleitoral for 10% maior que no ano anterior, e que o eleitorado for superior ao dobro da população entre 10 e 15 anos, somada à maior de 70 anos no município.

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