(com vídeo) – Operação Bocas Famintas: quase 15 toneladas de carnes desviadas da Afasc

Conclusão do inquérito, por parte da Polícia Civil, aponta uma estimativa de 143 mil reais de desvio dos cofres da prefeitura

- PUBLICIDADE -

Tiago Monte

Criciúma

- PUBLICIDADE -

A operação Bocas Famintas, que investigava o desvio de carnes da Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) por parte de duas mulheres, teve o inquérito concluído e apresentado para a imprensa na tarde desta terça-feira, 3. A ação, liderada pelo delegado Túlio Magalhães Falcão, da primeira Delegacia de Polícia Civil de Criciúma, concluiu que, aproximadamente, 15 toneladas de carnes foram desviadas da instituição. O rombo total aos cofres da prefeitura é estimado em 143 mil reais. “Foram identificadas as duas suspeitas e iniciou a investigação, que foi dividida em duas partes: a primeira, referente ao desvio, que acontecia na cooperativa, onde foi dada a prisão em flagrante, e posterior à prisão em flagrante, fomos investigar os locais públicos, mais precisamente as creches – principalmente o Lapagesse, que é a maior creche de Criciúma e que tem o maior número de estudantes. No Lapagesse, nós descobrimos que foram desviados, desde fevereiro, 3.133 quilos de carne e da cooperativa, aproximadamente 11,5 toneladas de alimentos”, elucida o delegado.

A operação iniciou em outubro e resultou na prisão de uma nutricionista, funcionária da Afasc, e uma taxista. “Nós tínhamos o indício do desvio de carne da merenda escolar, que era repassada através da Afasc, que recebia verbas públicas, comprava as carnes e distribuía em 32 creches do município de Criciúma”, comenta Túlio.

As mulheres foram indiciadas por peculato e receptação qualificada. A nutricionista é funcionária pública e hierarquicamente superior às funcionárias de todas as creches. “Quando nós ouvimos seis ou sete diretoras de creches, espalhamos entre as maiores e menores creches, duas em termos médios de porte, para saber se o desvio era feito. Elas informaram que as carnes não eram transportadas para as creches. Quando faltava, substituía por ovos. Algumas vezes, ela (diretora) presenciou a nutricionista retirando alimentos da creche, que sobrou, e levando para o Lapagesse”, pontua o delegado.

A pena para peculato é de 2 a 12 anos de detenção e a receptação qualificada tem pena entre três e oito anos. As mulheres responderão em liberdade. O inquérito está concluído e será enviado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para as providências cabíveis e os procedimentos legais.

 

Outras cinco pessoas são indiciadas

Os receptadores – compradores industriais – também foram indiciados pela Polícia Civil. Alguns compradores individuais – pessoas físicas – procuraram a delegacia para entregar as carnes desviadas, principalmente quem adquiriu os produtos da mão da taxista. “Por ela ser envolvida com igreja (taxista), vendia mais para vizinhança. Era um preço tido como absurdo: R$ 6,50 ou R$ 7,50. Comparando: um quilo de carne moída está 11 reais. Essas pessoas vieram até a delegacia, de pronto, e entregaram essas carnes, peito de frango e outros itens que foram desviados. Já os compradores industriais: lanchonete, padarias, panificadoras e restaurantes, que compraram na mão da nutricionista, eles não procuraram a delegacia. Eles compravam, em torno de cinco reais, abaixo de 50% do valor de mercado. Esses foram identificados, cinco indivíduos, e todos foram indiciados por receptação qualificada”, comenta o delegado.

Um proprietário de restaurante foi preso em flagrante, ainda em outubro. “Descobrimos mais quatro restaurantes que faziam essa compra. Inclusive um resultou na prisão, em flagrante: um restaurante no bairro Universitário, na Unesc. Identificamos que a venda acontecia diretamente com a nutricionista e os recibos assinados também eram cobrados da Afasc: eram assinados e ela entregava, havia o pagamento e ela desviava e revendia os alimentos”, pontua Túlio.

Há indícios de que os crimes iniciaram ainda em novembro de 2018. Naquela época, há menções de desvios de 60 e 80 quilos de carnes. “Temos um recibo e conversas entre a nutricionista e a taxista, que datam do mês de novembro de 2018. Lá já fazia expressa as menções de 60 e 80 quilos de carne, em novembro, que eram vendidas”, pontua o delegado.

Para Túlio, não há dúvidas de que a nutricionista desviava as carnes. No início da investigação, a advogada de defesa chegou a mencionar que havia erro da polícia e que tudo seria provado ao contraário. “Não. Não há dúvidas. Todos os indícios apontam que ela (nutricionista), realmente, não só desviava, através da cooperativa, como pior: esse alimento era repassado para a creche, já era um bem público, e dentro da creche ela desviava, juntava todos os bens subtraídos no Lapagesse e lá fazia a distribuição”, finaliza o delegado.

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.