Criciúma: Segmento cultural pede atenção do poder público

Fórum Setorial de Artes Visuais emite carta aberta com demandas emergenciais na cidade

Foto: Lucas Colombo/TN

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Criciúma

Portas fechadas, salas vazias e pouco incentivo. Assim está o segmento da arte e cultura de Criciúma, que tem exigido do poder público mais atenção, reconhecimento e apoio para se desenvolver. Diante do cenário, o Fórum Setorial de Artes Visuais de Criciúma elaborou uma carta aberta à sociedade, onde lista as pautas emergenciais que precisam ser tiradas do papel pela Administração Municipal.

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Conforme a presidente da Associação Sul Catarinense de Artes Visuais (Ascav) e vice-presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, Daniele Zacarão, o documento foi elaborado por artistas, professores e demais profissionais que atuam nessa área. “Dentre as solicitações, está a reabertura dos espaços de exposições, que até aconteceu semana passada, mas daí é outra problemática que os espaços estão sem gestores. Então essas programações que têm ocupado os espaços de exposição ainda são a partir de parcerias. A Fundação Cultural está sem uma equipe de articulação dessa área dentro da instituição”, explica a presidente.

Outro problema interligado é que, de acordo com ela, as obras de arte da Fundação Cultural de Criciúma (FCC) estão guardadas de forma irregular. “O acervo está em condições de risco, em um espaço que não é apropriado, sem manutenção, sem higienização. Então algumas obras já estão bem danificadas. O acervo da memória da arte aqui da região está se perdendo por conta desse espaço não apropriado para armazená-lo”, ressalta.

Reunião favorável com a FCC

Na última sexta-feira, 7, o documento elaborado pelo fórum foi entregue ao presidente da FCC, Júlio Lopes. “Apresentamos todos esses pontos e ele se comprometeu a trabalhar em cima dessas questões. Acho que a conversa com o Júlio foi bastante positiva. Então a gente está com uma expectativa boa. Mas sabemos que não depende só dele”, expõe Daniele.

A pretensão é que a carta seja entregue também aos vereadores de Criciúma e, posteriormente, ao prefeito Clésio Salvaro. “A associação, o grupo de artistas do fórum de um modo geral, quer construir junto. Queremos colaborar, por isso fizemos essa reunião, organizamos as demandas. O que não podemos mais é fazer vista grossa para esse tipo de atitude”, enfatiza.

Conquista junto à fundação

Uma conquista obtida durante o encontro com Lopes foi que o presidente da FCC colocou à disposição da Ascav uma sala aos fundos do Centro Cultural Jorge Zanatta, que possibilita a execução de projeto antigo da associação. “Vai ser um espaço que a gente vai destinar, justamente, à produção artística. Ele vai funcionar como um ateliê público, aberto aos artistas da cidade. E também um espaço onde a gente vai realizar cursos de capacitação”, detalha Daniele.

Confira todas as demandas destacadas na carta aberta:

  1. Reabertura da Galeria de Arte Contemporânea do Centro Cultural Jorge Zanatta e a Galeria Municipal de Arte Octávia Búrigo Gaidzisnki (anexa ao Teatro Elias Angeloni). A primeira, inclusive, passou recentemente por um processo de restauração e está equipada e apta para uso.
  2. Ausência de profissional técnico capacitado na área de Artes Visuais no quadro de colaboradores da Fundação Cultural de Criciúma. Com isso, há a necessidade da atualização da Lei Municipal 2829/1993, criando cargos que atendam essa necessidade.
  3. O acervo com obras de artistas brasileiros, recebidas pela Prefeitura e FCC como doações, está há seis anos acondicionado em uma espaço inapropriado, sem manutenção preventiva periódica, higienização e climatização adequada. Esta situação tem agravado o estado de conservação das obras, muitas já em estado de dano irreparável.
  4. Solicitação do lançamento anual do Edital Cultura Criciúma, único mecanismo de financiamento a projetos culturais do município, que não é lançado desde 2014.
  5. Solicitação para a retomada do Projeto Arte nas Comunidades, que possibilitou acesso à arte, cultura e cidadania, por meio de oficinas. Ele foi encerrado em 2015, deixando desassistidos aproximadamente 5 mil crianças e jovens em diversos bairros de Criciúma.
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Em: Criciúma

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