Tigre: A cronologia do fracasso

Torcedor lamenta a situação do clube e terá que assistir ao Tigre na Série C em 2020


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Tiago Monte

Criciúma

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Está sacramentado. O Tricolor Carvoeiro está rebaixado para a Série C do Brasileiro de 2020. Tudo começou ainda em dezembro do ano passado, quando Doriva foi anunciado como comandante da equipe. Nei Pandolfo era o diretor de futebol, remanescente da temporada passada e referendou a contratação do profissional. Dias antes da chegada do treinador, o presidente Jaime Dal Farra havia anunciado um acordo com o ex-zagueiro da Seleção Brasileira e do São Paulo, Ricardo Rocha, como assessor de futebol.  Uma das primeiras contratações também foi de peso: o lateral direito Maicon, ex-Seleção Brasileira, seria um dos pilares da equipe. “Primeiro erro foi a contratação do assessor Ricardo Rocha, que criou grande expectativa, porém, não deu nenhuma contribuição efetiva para o futebol. Ao contrário, recomendou contratações de baixa qualidade técnica e saiu quase sem ter chegado”, comenta o repórter Jota Éder, do Timaço, da rádio Som Maior, que acompanha o dia a dia do clube.

Com um desempenho pífio, Doriva foi demitido em março, ainda durante o Campeonato Catarinense. O empate em casa contra o Marcílio Dias, em 1 a 1, foi a gota d’água para a saída do treinador. Junto com ele, Nei Pandolfo também deixou o clube. Doriva deixou o Tigre com 13 jogos, cinco vitórias, três empates e cinco derrotas – 46,1% de aproveitamento. Com o treinador chegaram jogadores como Ceará, Pedro Bortoluzo, Bruno Cosendey e Zé Augusto, todos com o aval de Ricardo Rocha.

A cartada em Kleina e Maringá

Com o primeiro erro do ano, Dal Farra resolveu “abrir o cofre” e contratar uma comissão técnica com ambição de chegar à Série A. Ainda na primeira quinzena de março, desembarcaram no estádio Heriberto Hülse, o técnico Gilson Kleina e o diretor de futebol, João Carlos Maringá. Com eles, a intenção era de montar um elenco competitivo para estar na Primeira Divisão de 2020.

Junto com os comandantes, chegaram atletas com experiência na Série A, como Wesley e Vinícius. Ambos haviam trabalhado com Kleina no Palmeiras. A apresentação dos nomes aumentava a expectativa pelo início da Segunda Divisão. No Catarinense, após uma recuperação, o time foi eliminado na semifinal pelo Avaí. Pela Copa do Brasil, o Tigre foi eliminado, após duas derrotas para a Chapecoense.

Logo no início da Série B, o time não empolgava. Foram duas derrotas e dois empates. A primeira vitória veio só na quinta rodada: 1 a 0 diante do Guarani. Gol marcado por Léo Gamalho, contratado para ser o “matador”. Até a pausa para a Copa América: uma vitória, um empate e uma derrota. Kleina pedia por reforços, mas o escasso orçamento não permitia muitas extravagâncias. Na retomada da Série B, vitória contra o Coritiba. Porém, daí para frente, o time foi ladeira abaixo: quatro derrotas e um empate. Resultado? Demissão de Gilson Kleina. No dia 5 de agosto, o treinador foi desligado. “Desde que a gestão Jaime Dal Farra começou, o clube vem em um processo degenerativo, não tendo como suportar todos os desmandos, toda a incompetência e toda a falta de conhecimento de um presidente centralizador e que não tem a mínima condição de tocar o futebol. Não adiantou, como fez nesse ano, trazer Maringá, Gilson Kleina, personagens do futebol reconhecidos numa Série A de Campeonato Brasileiro, se não tiverem autonomia pra trabalhar”, avalia o comentarista João Nassif, do Timaço, da rádio Som Maior.

Uma sucessão de erros no segundo semestre

A partir da saída de Kleina, a gestão do futebol do Criciúma foi ladeira abaixo. O terceiro treinador do ano foi Wilsão Waterkemper. Ele iniciou a trajetória ainda em agosto, como interino, mas chegou a ganhar mais autonomia, após uma campanha de duas vitórias, dois empates e uma derrota. Foi então que o diretor de futebol, João Carlos Maringá, e o presidente Jaime Dal Farra entraram em rota de colisão. Enquanto Maringá defendia a manutenção de Wilsão, o mandatário defendia a busca de um novo treinador, no caso Waguinho Dias.

Com uma campanha convincente no Catarinense e o acesso para a Série C com o Brusque, o técnico, tido como bom organizador de equipes, era pretendido por Dal Farra. E assim aconteceu: Waguinho foi contratado. Maringá seguiu no clube. Porém, apenas cinco jogos depois, com dois empates e três derrotas, o treinador foi demitido. O diretor não aguentou e também saiu. “Os executivos não tinham poder de decisão e trabalharam com orçamento baixo para montar time para “subir”. Eles foram desautorizados em algumas tentativas de decidir algo, como Maringá, que pretendia manter Wilsão, mas foi surpreendido com a contratação de Waguinho Dias”, enfatiza Jota Éder.

A esperança final com Roberto Cavalo

Horas depois de demitir Waguinho, o Criciúma anunciou Roberto Cavalo como novo treinador. Amigo pessoal do presidente Jaime Dal Farra, o treinador trouxe Vanderlei Mior, como assessor de futebol, para repetir a dobradinha que deu certo em 2015. Tudo começou bem: na estreia, vitória sobre o Botafogo-SP por 2 a 0.

Daí para frente, nada mais deu certo. O time ficou nove jogos sem vencer: cinco empates e quatro derrotas. Erros de arbitragem e a parte psicológica dos jogadores prejudicaram muito uma possibilidade de recuperação. Um último suspiro foi dado contra o Londrina. Após a vitória por 2 a 0, empate com o Bragantino por 1 a 1, mas o tropeço diante do Paraná, novamente por 1 a 1, deixou o time prestes a ser rebaixado – algo que foi consumado com resultados paralelos. “Faltou ação da diretoria, antes do prazo final de contratações. Achou que dava com o atual grupo, quando era nítida a falta de qualidade. Colocou a culpa na falta de opções no mercado. Opções haviam, o problema foi apostar em um grupo que já não dava resposta há bastante tempo. O investimento que não foi feito para evitar o rebaixamento, terá que ser feito, agora, para devolver o time à Série B”, conclui o repórter Jota Eder.

Um processo de desintegração

Desde que foi assumido pelo presidente Jaime Dal Farra, em 2015, o Criciúma não se aproximou do acesso. A temporada mais tranquila foi a de 2016, quando o técnico foi Roberto Cavalo, durante todo o ano. Em 2017, 2018 e neste ano, a equipe brigou para não cair, na Série B. Nos dois anos passados, conseguiu se salvar. Em 2019, não. “A temporada 2019 foi a cereja do bolo de um processo de desintegração do Criciúma, que já vem de algum tempo. Tantas e tantas temporadas, o Criciúma correndo contra o rebaixamento, inclusive no Catarinense. Não se faz futebol sem um planejamento efetivo, consciente e acima de tudo de capacidade para tocar o futebol. O Criciúma não teve essa prerrogativa, por isso, sofre esse rebaixamento”, pontua João Nassif.

Para o comentarista do Timaço, da rádio Som Maior, o clube terá dificuldades para se recuperar. “O processo vinha acontecendo lentamente há algum tempo. Os erros não foram de agora, eles vêm se acumulando e uma hora não teve mais para onde correr, para onde escapar. Uma situação constrangedora e acima de tudo, para o torcedor, aflitiva. O torcedor confiava no time, prestigiou, empurrou, encheu o estádio em busca de resultados que os jogadores não conseguiram. Culpa dos jogadores e das comissões técnicas? Também. Mas mínima. Culpa total desta administração. O Criciúma vai padecer por mais dois anos e, se não houver uma mudança radical a partir de agora, que eu não acredito que tenha, o Criciúma vai ter muitas dificuldades. Primeiro para retornar à Série B do Campeonato Brasileiro e segundo: correndo o risco de parar numa Série D”, finaliza.

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