“Infelizmente eu errei”, admite Dal Farra

Presidente do Criciúma quebra o silêncio e fala sobre a situação do clube após o rebaixamento e os planos para o próximo ano

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Criciúma

Jaime Dal Farra quebrou o silêncio. Onze dias após a confirmação do rebaixamento do Criciúma para a Série C do Campeonato Brasileiro, o presidente do clube concedeu uma entrevista coletiva e falou sobre as dificuldades enfrentadas na temporada, os erros, a situação financeira e os planos para 2020.

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Segundo o presidente, o ano foi marcado por um conjunto de erros, que vão desde a montagem do elenco, treinadores, até mesmo erros de arbitragem, principalmente nas últimas partidas. “Tudo conspirou contra nós nesse ano. Um campeonato fácil e difícil ao mesmo tempo. Nivelado por baixo, muito pouca qualidade. Um ano difícil. A montagem do elenco, entendo que não foi adequada. Infelizmente errei”. “E a arbitragem foi determinante, na parte final. Foi terrível, um grande fator na dificuldade que tivemos dentro de campo. Quando vieram árbitros como o [Anderson] Daronco, que não interfiram no resultado, a gente ganhou ao natural”, completa.

Entre os erros na montagem do elenco, Dal Farra fez alusão ao ano de 2014, quando ainda na gestão de Antenor Angeloni, o clube, na Série A, apostou em jogadores de renome, mas acabou rebaixado para a Série B. “Sem dúvida, tem muitas coisas para não repetir. A primeira coisa, foi uma situação que já aconteceu no passado com o antigo investidor. Trazer jogadores de nome, consagrados. Treinador de ponta, com três acessos. E nós temos que trazer gente que venha aqui comer grama. Que venha aqui babando, com vontade, com gana. Antigamente, dentro da nossa casa, os caras vinham jogar tremendo, mas hoje faltou essa gana. Precisamos trazer jogadores que queiram vencer na vida. E que vão fazer tudo pelo nosso time, que venham com vontade. Um time guerreiro, que vence dentro de campo”, destaca.

Planejamento para 2020

Dal Farra revelou que após o rebaixamento, o clube já iniciou os trabalhos para a próxima temporada. A primeira missão é acertar a contratação de um diretor executivo de futebol, que ficará a cargo de definir treinador e o elenco.

Um dos nomes especulados é o de Ocimar Bolicenho, que deixou o Londrina, mas o presidente desconversou. “Falei com algumas pessoas, alguns executivos. Estamos conversando com vários. Queremos trazer pessoas ainda mais qualificadas. Trouxemos várias pessoas competentes, mas tem que acontecer o resultado dentro de campo. Vamos trazer o mais qualificado que a gente entende, alinhado com os princípios do Criciúma”, adianta.

O presidente revelou também que busca um CEO, para ficar responsável pela gestão do Criciúma como clube. “O sentido é de cada vez mais profissionalizar, trazer gente voltada ao futebol. Eu tinha um exemplo muito grande do Flamengo, que hoje é um sucesso, que é o Fred Luz, um CEO que tocava o Flamengo. E é isso que a gente quer. Temos que trazer cada vez mais gente habilitada. Profissionais, pois o futebol é muito difícil. A gente quer trazer uma pessoa com conhecimento de futebol, conhecimento de gestão e planejamento”, explica. “Vamos acertar primeiramente com o executivo de futebol. O CEO é mais demorado, porque a tendência é que eu deixe a chave na mão do cara. Tem que ser uma pessoa muito qualificada, séria, responsável”, completa.

Quanto ao elenco e treinador, Dal Farra garante que a decisão só será tomada após a contratação do diretor executivo, mas não descarta a permanência de Roberto Cavalo. “Terminou o contrato, mas o Roberto Cavalo é um ídolo aqui, e sem dúvida, um grande apaixonado pelo Criciúma e um grande treinador. Quanto ao elenco, vale passar por uma avaliação técnica com nosso executivo de futebol, que vai debater, conversar e serão avaliados”, conta.

Destaque à torcida

Durante a coletiva, Dal Farra falou várias vezes sobre a torcida carvoeira. O presidente afirmou que chorou de alegria, ao ver o apoio que o clube recebeu, principalmente na reta final do campeonato, e também pediu o apoio para a próxima temporada.

“A torcida que nós temos é extraordinária, e sem dúvida, ela vai carregar o Criciúma. O grande patrimônio do Criciúma é o nosso torcedor. Muito obrigado pelo apoio extraordinário. Chorei, inclusive, ao ver o nosso torcedor aplaudindo sem o resultado em campo. E a nossa torcida vai levar o clube ao lugar que merece. Um grande clube tem que ter uma grande torcida, e como a nossa não tem”, enfatizou.

O presidente destacou também que o clube deve realizar uma série de ações para manter o torcedor no estádio em 2020. “Estamos pensando muito, trabalhando muito com nossa diretoria toda. Nossa torcida foi extraordinária e vamos fazer muita coisa para que o nosso torcedor esteja do nosso lado. Somos paixão pura. Nosso time é sempre de Série A, e no ano que vem vamos buscar isso”, avisa.

Sem dívidas

Se em campo os resultados decepcionaram, fora dele, Dal Farra garante que as coisas não poderiam estar melhores. “O clube está saneado, Não tem nenhuma dívida. Diferente de outros clubes no Brasil inteiro. Série B é muito difícil. Nosso torcedor pode ter orgulho, pois não devemos um centavo”, conta.

Dal Farra também abriu sobre os investimentos realizados não apenas neste ano, mas também durante toda sua trajetória no clube. “Como investidor, coloquei bastante dinheiro. Só para terem uma ideia, nestes quatro anos e três meses que eu estou no clube, entre investimentos que eu paguei ao antigo investidor, e que eu coloquei dentro do clube, foram R$ 40 milhões. Entre venda de atletas, que foi mais de R$ 25 milhões e outros direitos, tipo Esporte Interativo, arrecadamos R$ 30 milhões. Um déficit de 10 milhões até agora. Mas como teve a venda do Róger Guedes no ano passado, em agosto, zerei o déficit. Mas estou muito tranquilo, porque vim com muito amor, como torcedor, como presidente do clube e como investidor para fazer o melhor para o Criciúma”, revela.

 

“Neste ano, eu investi o dobro do que eu pensava. Trouxe jogador de ponta, diretor executivo de ponta, gente muito qualificada, que sabia tudo de futebol, mas que dentro de campo não deu certo. Investi, coloquei dinheiro meu e nao tem problema nenhum. Assumi perante o nosso torcedor, perante o conselho, cumpri e nao tem problema. Fiz isso acima de tudo por amor extremo ao Criciúma. Coloquei meu dinehiro, dinehiro da minha família, a favor do Criciúma”, disse.

Promessa por um ano de vitórias

Sem vencer o Catarinense desde 2013, o Criciúma irá iniciar o ano em reconstrução. Mas o presidente garante que o clube irá se preparar para voltar a levantar a taça do Estadual.

“Título estadual revigora todos, dá moral e é uma alegria. E o Criciúma, de títulos, nos últimos 20 anos tem conseguido títulos em tempos longos, mas no ano que vem vamos brigar sim pelo título” confirma.

E Dal Farra garante que o torcedor pode esperar boas coisas do Criciúma em 2020. “O futebol às vezes é muita paixão, muita emoção, e o resultado em campo interfere. Mas é na dificuldade que a gente precisa recuperar e eu estou muito revigorado. Vamos fazer um grande ano no ano que vem. Vamos colocar o Criciúma no lugar que merece, sempre buscando a meta que é a Série A”, promete.

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