Criciumense desvenda os segredos dos corredores quenianos

Em busca de aprimoramento, treinador Marcelo Olímpio viaja até a África e convive duas semanas no Quênia

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Tiago Monte

Criciúma

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Não é de hoje que os atletas quenianos fazem sucesso nas provas de longa distância de atletismo. Eles predominam os pódios das maratonas. Em busca de aprimoramento técnico e mais conhecimento para passar aos alunos, o treinador criciumense, Marcelo Olímpio, de 40 anos, passou duas semanas no Quênia. Denominado The Kenya Experience, o curso presenciado pelo único catarinense teve a presença de 21 brasileiros: cinco treinadores e 16 atletas. “É um curso que a gente faz com treinadores quenianos, um brasileiro e um holandês. Eu fui lá para aprender o método dos quenianos: porque eles são os melhores? Era isso que eu queria saber. Por que os quenianos são os melhores do mundo nas corridas de fundo. Na velocidade, são os jamaicanos. Esse era o objetivo”, comenta Olímpio.

O criciumense, que é ex-atleta de triathlon e participou de duas edições do Ironman, começou a desvendar o mistério logo ao chegar na cidade de Iten, capital e maior cidade do condado de Elgeyo-Marakwet. “Tu estás na África, em um dos países mais pobres do mundo: o Quênia. E daí tu vê a pobreza mesmo. Eu vi as pessoas não terem opção. Esse é o negócio. Lá ou tu corres ou plantas para comer. Onde eu estava, na região da cidade de Iten, é onde saem os campeões. Eles são uma tribo com a genética que a gente vê nas corridas. Eles são magros e resistentes”, pontua Marcelo.

O local onde o criciumense ficou acampado é destinado aos principais atletas do Quênia. Fora dali, a realidade é bem diferente. “O local é especial para receber esses atletas. Só que, saiu do acampamento, é a realidade do país. Durante alguns momentos, a gente ficava no acampamento e depois saíamos para conhecer a vida deles. E aí o choque foi forte”, ressalta.

O biotipo que influencia no desempenho

Quem acredita que todos os quenianos têm biotipo de campeão de corrida, está enganado. Apenas os nascidos na região de Iten é que possuem as características necessárias para terem um bom desempenho nas pistas. “Eles têm a perna fina, coxa fina, o tronco mais encurtado, o braço, antebraço e cabeça pequenos. Então, isso é propicio para corrida de longa distância. E só quem é desta tribo tem essa genética. Lá no Quênia, as outras pessoas não são assim. Quando eu cheguei lá, pensei que veria todos assim, mas não: é só nessa tribo mesmo. Os demais são tipo os angolanos: mais fortes”, explica Marcelo.

Desta forma, começa a se montar o conjunto de sucesso: necessidade, genética, alimentação e ambiente.  “Eles são campeões pelo conjunto. O método de treino até não é tão diferente do nosso, porque, com certeza, outras pessoas já os estudaram antes de mim. O grande diferencial deles é o foco. Eles não correm pelo ego, para serem campeões, e, sim, porque atrás deles têm 10 ou 20 pessoas passando fome. Não é igual a gente: queremos ganhar algo para o ego. Lá não: é sobrevivência. Essa é a grande diferença”, enfatiza Marcelo.

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