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Criciúma

Em meio às brincadeiras e conversas típicas do recreio, um grupo de crianças chama a atenção entre os coleguinhas. Num misto de risos, semblantes sérios e gestos, elas vão se comunicando por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Três desses meninos e meninas possuem algum grau de deficiência auditiva, enquanto os demais aprenderam Libras para conseguir conversar com os amigos. Essa cena é só um dos inúmeros exemplos diários de inclusão e empatia observados na Escola Municipal Professora Maria de Lourdes Carneiro, localizada no bairro Vila Francesa, em Criciúma.

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Para os 400 alunos da instituição, a aprendizagem de uma nova língua vai muito além dos muros da escola, levando esse conhecimento até outros amigos e, principalmente, aos familiares. No caso de Davi, de oito anos, aprender a se comunicar por sinais tem facilitado até mesmo o convívio com o irmão gêmeo, Artur, que possui deficiência auditiva. “É legal, estou gostando disso. Venho todas as terças-feiras ao AEE, para acompanhar o Artur nas aulas de Libras, onde ele faz as atividades”, conta o garoto.

O AEE, que é o Atendimento Educacional Especializado da escola, recebe os alunos com deficiência auditiva no contraturno escolar, para que eles aprendam a Língua Brasileira de Sinais. Porém, na unidade do bairro Vila Francesa, o conhecimento vai além. Desde o ano passado, a instituição passou a ser um polo na educação de surdos em Criciúma, recebendo crianças de diferentes regiões do município. “Libras hoje faz parte do nosso dia a dia. Não tem como entrar aqui e não ver que isso faz parte do nosso dia a dia. É algo normal para nós”, ressalta a diretora Daniela Rosso Miranda Santos.

Ensino mais completo

Além do reforço em Libras no AEE, ensinada por uma instrutora que também possui deficiência auditiva, os estudantes surdos contam ainda com o auxílio de docentes bilíngues no ensino regular. Sonia Pires é uma das quatro profissionais que fazem essa “ponte” entre o que o professor regente e o aluno, para que o processo de aprendizagem desses meninos e meninas seja ainda mais completo.

Segundo Sônia, há toda uma metodologia a ser respeitada, para que essa criança aprenda com qualidade. “Quando o professor regente explica o Português, nós temos que falar para o aluno prestar atenção no quadro e no professor, porque é preciso dessa parte visual. A audição dele e visual. Depois de dar esse tempo para o aluno, ele volta a atenção só para mim, para eu explicar em Libras o que o professor de Português falou”, detalha a docente bilíngue.

É a partir dessa relação que as crianças com deficiência auditiva assimilam as palavras nas duas línguas. “Aí eu pergunto: ‘O que você entendeu?’. E ele vai me explicar, escrevendo quais letrinhas tem aquela palavra. Então tem essa troca de conhecimento. E isso faz com que ele memorize, porque o aluno surdo tem que visualizar e memorizar, porque assim é que se dá o aprendizado. Sempre com calma e respeitando o tempo de cada um”, completa a professora bilíngue.

Conforme a diretora Daniela, tudo isso tem gerado resultados surpreendentes dentro e fora da escola. “Os relatos que os pais nos fazem são maravilhosos. Essas crianças surdas tinham vergonha de falar, de se comunicarem, de gesticular. Tinha criança com vergonha de usar o implante e, agora, já o usa tranquilamente. Elas se aceitaram do jeito que são. É uma experiência maravilhosa. A gente aprende mais do que ensina”, enfatiza.

Confira a reportagem completa na edição desta segunda-feira, 18, do jornal Tribuna de Notícias. 

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Em: Criciúma

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