Região Sul pode ser beneficiada com acordo Mercosul-UE

Parceria, debatida há 20 anos foi firmada, porém, ainda há um caminho a percorrer antes da concretização. No Sul do estado, produtos do agronegócios devem ser os maiores beneficiados

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Marciano Bortolin

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Criciúma

Em 1999, os países que compõem o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE), iniciaram uma negociação que levou 20 anos para ser concretizada. Depois de idas e vindas, o acordo de livre comércio entre os dois blocos foi fechado no último dia 28 de junho. A parceria prevê redução de tarifas de exportações, sendo que 90% será zerado em até dez anos e os outros 10% terão acesso preferencial com cotas e tarifas menores. No acordo, estão incluídos no bens, serviços, investimentos e compras governamentais.

A parceria Mercosul-UE cria expectativas positivas também para o Sul de Santa Catarina. Entre as maiores produtoras agrícolas, a região pode colher bons frutos do acordo. O especialista em Negócios Internacionais e Comércio Exterior e diretor da UNQ Import Export, Marcelo Raupp, enfatiza que as melhorias não serão sentidas de imediato, mas que acontecerão aos poucos. “Por exemplo, já é definido que alguns produtos agrícolas brasileiros vão ter isenção de tarifas como frutas, parte de aves, arroz, por isso a nossa região tende a ganhar com isso. Também tem a vantagem aos produtos industriais como a cerâmica, plásticos, o mercado de moda que vem crescendo há algum tempo, mas que precisa ainda se desenvolver na questão de cultura internacional, podendo se tornar referência na Europa em nichos específicos. São coisas que o Brasil, com esta facilitação de entrada no mercado europeu, se tornar referência”, comenta.

Dados do Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), não mostram nenhum país da Europa entre os cinco que mais negociam com o estado. De janeiro a junho de 2019, quem aparece no topo da lista são os Estados Unidos, seguidos de China e Japão. Em quarto está a vizinha Argentina e em quinto o México. “Os nossos grandes parceiros comerciais são Estados Unidos e China. O Mercosul como um todo é um grande demandante nosso de linha branca, automóveis. O Brasil vende para a América do Sul e nós temos contrapartida muito importante como o trigo da Argentina. A Europa quer vender leite para o Brasil, não sei se vai encontrar espaço”, salienta o economista Enio Coan.

As exportações de Santa Catarina totalizaram US$ 4,5 bilhões de janeiro a junho, enquanto o valor de importações chegou a US$ 8,1 bilhões. O resultado representa um crescimento de 10,7% nas vendas e de 8,9% nas compras do ano. No acumulado de 2019, os principais produtos exportados pelo estado foram: carnes de aves, representando 24% da pauta exportadora; carne suína, com participação de 8% e soja, com participação de 7%.

 

Principais destinos das exportações (janeiro a junho/2019) Variação (janeiro a junho/2019) Participação na pauta exportadora
1º – Estados Unidos -2,52% 14,69%
2º – China 4,06% 13,97%
3º – Japão 41,82% 5,15%
4º – Argentina -20,78% 4,85%
5º – México -5,10% 3,68%

Fonte: Observatório da Indústria (Fiesc)

O economista acrescenta que em certo ponto, o Brasil é concorrente da Europa, como é o caso do frango, mas não acredita que isso possa prejudica os produtores da região. A França, por exemplo, é o segundo maior produtor de frango do mundo, o Brasil é o primeiro. A agricultura francesa e de alguns países são grandes concorrentes brasileiros. Não acredito que algum setor da região possa ser prejudicado, se há algum risco pode ser a carne de frango, mas se a França vê o Brasil como concorrente, o resto da Europa não, até porque eles querem outra opção”, enfatiza.

Coan, inclusive, também vê com bons olhos o tratado e prevê que os resultados serão produtivos para a região. “Nós somos pequenos perto do mercado comum europeu, então vejo uma vantagem para quem é menor. Principalmente para nós aqui do Sul é uma abertura importante, pois temos produtos como a carne, derivados principalmente do setor agro, industrial, e assim podemos ter grandes vantagens”, cita o economista, acrescentando que, além de exportar, a região pode se beneficiar de produtos vindos dos países da União Europeia. “O Mercosul tem que levar em consideração que não é somente uma parceria entre o Sul do Brasil e os países vizinhos, é o Brasil inteiro. Nós, como vizinhos de Argentina, Uruguai, Paraguai, temos preferências para vender para eles ou negociar”, complementa.

*A reportagem completa você confere no Tribuna de Notícias desta terça-feira, dia 9.

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Por: Marciano Bortolin
Em: Criciúma

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