A contribuição da inovação ao meio ambiente

Foto: Lucas Colombo/TN
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Marciano Bortolin

Criciúma

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Com o cuidado ao meio ambiente cada vez mais no centro do debate, surge a cada dia novas alternativas voltadas à temática. E um setor que passou a contribuir de forma efetiva com a sustentabilidade é a tecnologia. A cada dia surgem novas startups e outras inovações focadas no tema com diversos tipos de soluções.

Uma das startups criadas que vem trazendo resultados positivos para a região é o aplicativo Rever. A ideia, o especialista em Engenharia de Software, Fabrício Cardoso de Jesus, teve em um fim de tarde quando voltava do trabalho e no carro ouvia rádio os números referentes a reciclagem, veiculadas por uma rádio local. A reportagem, conta ele, falava que o lixo tem 30% de potencial de reaproveitamento, mas de forma geral apenas 3% é efetivamente reciclado. “Ao ouvir aquela reportagem no mesmo dia comecei a pensar de que forma poderia utilizar da tecnologia, que é meu ramo de atividade desde 2002, para ajudar nessa questão. E foi nesse dia que começou a nascer o projeto Rever com propósito ecológico e que pudesse unir poder público, população e cooperativas de reciclagem para proporcionar o aumento da reciclagem nas cidades”, relata.

Após a ideia estar toda no papel o próximo passo foi validar e verificar se teria como fazer a aplicação na prática. “E foi então que procuramos a presidente da Fundação do Meio Ambiente de Criciúma (Famcri), Anequésselen Fortunato, que identificou o caráter inovador do projeto, nos deu todo o apoio que precisávamos para dar andamento, inclusive contribuiu com ideias para a solução, reforçando aplicabilidade e importância para o município. O projeto foi apresentado também para o Tiago Pavan, da diretoria de TI de Criciúma, que também foi totalmente favorável, pois viu no projeto forte características de inovação e mobilidade em prol da sustentabilidade e que as cidades realmente precisam disso”, recorda Cardoso.

O aplicativo consiste em uma plataforma formada por um ambiente web para gestão, que normalmente é utilizado por fundações do meio ambiente, mas que também pode ser usado por outros departamentos vinculados à Prefeitura e pelo aplicativo. “Ele funciona como uma ferramenta de colaboração que permite um canal entre o poder público e o cidadão. É uma via de mão dupla onde a Prefeitura pode estar passando informações para os munícipes por meio do mural existente no aplicativo ou por lembretes que são enviados de forma automática conforme definição prévia das fundações e com base na localização da pessoa. Esta funcionalidade vem sendo muito utilizada com intuito de lembrar da coleta do reciclado por exemplo, avisando com antecedência para o cidadão colocar o lixo em frente à sua casa nos dias e horários corretos, auxiliando e evitando que materiais já separados acabam indo para o lixo comum”, cita.

Depois de Criciúma, outras cidades também já contam com a plataforma, é o caso de Morro da Fumaça e Içara.

O idealizador do projeto diz já ser perceptível os resultados positivos da inovação e um deles é a participação efetiva dos cidadãos, tanto na parte de acompanhamento das postagens de informações feitas pelas entidades municipais como nas de denúncias ambientais. “Temos ainda outras situações onde a população já está relatando situações encontradas ao poder público do município e com isso os departamentos responsáveis já estão atuando de forma rápida, tomando as providências necessárias e ainda posicionando o cidadão acerca da ação tomada”, comenta.

Outro ponto positivo notório, conforme Cardoso, são os relatos de pessoas que fazem uso do lembrete para providenciar a separação do lixo, contribuindo assim para o aumento do reciclado no município. “Em Içara, por meio do banco social, pessoas que passam por situação de vulnerabilidade já estão sendo beneficiadas por doações feitas pelo aplicativo e isso para nós é extremamente gratificante”, ressalta.

Contato com associação de catadores

Para o ano que vem, a plataforma contará com outra funcionalidade em Criciúma. Nela, o próprio cidadão pode avisar a associação de catadores ou cooperativa de reciclagem que guardou determinado material e poderá se deslocar ao local onde o material precisa ser coletado, ou seja, antes mesmo de iniciar o deslocamento já saberá o local e qual material vai coletar. Por meio deste recurso a fundação pode, inclusive, separar as cooperativas por bairro ou por material. “A contribuição deste recurso, além de buscar o aumento do engajamento da população na questão da reciclagem, é gerar emprego e renda para outras famílias que queiram ingressar também no segmento da reciclagem de maneira formal e regularizada perante o entidade municipal”, assegura.

Para o idealizador do Rever, a tecnologia é um poderoso agente de mudança. “Nossas vidas nunca foram tão influenciadas por este fator como no atual momento e isso é uma tendência que não tem volta. O ser humano se acostuma muito fácil com o que é bom, com facilidades e isso faz com que cada vez mais nos tornamos de certa forma dependentes da tecnologia. O que tentamos fazer é direcionar a tecnologia, inovação e mobilidade focando em sustentabilidade e bem estar social e posso dizer que o fator positivo gerado realmente não tem como ser dimensionado”, diz.

Banco social

O aplicativo conta ainda com a funcionalidade do banco social que permite que a cidade organize doações e quem precisa pode acompanhar os materiais doados também pelo aplicativo, procurando, assim a prefeitura para verificar a possibilidade de receber a doação.

Auxílio às empresas

Da dificuldade na realização das atividades como gestor ambiental de uma empresa de grande porte em Joinville surgiu, em 2016, o Eloverde, plataforma que auxilia as empreendimentos nos processos ambientais ao qual estão submetidas, fornecendo gestão, controle e comunicação. “Quando falamos da área ambiental, possuímos vários agentes envolvidos: o gerador do resíduo, o transportador, destinadores/recicladores, bem como consultores ambientais, laboratórios químicos e até mesmo o próprio governo com suas autarquias fiscalizadoras. Para o gerador, fornecemos mecanismos para controle e gestão dos processos ambientais, isto incluí controle de metas na geração do resíduo, produção mais limpa e lixo zero. Além disto, disponibilizamos uma rede com mais de 20 mil empresas, onde o gerador pode encontrar novos destinos para os resíduos. Com a plataforma é possível realizar a gestão da logística do resíduo, desde a coleta, até o processamento final, fornecendo toda documentação ambiental necessário e integração com órgãos ambientais”, explica o cientista da computação e consultor de negócios e CEO da Eloverde, André Felipe Fraga

Após a elaboração do projeto, Fraga e o sócio, Bruno Girardi, que atua como engenheiro químico e consultor ambiental, passaram a participar dos programas de inovação em Santa Catarina e no Brasil, saindo vitoriosos na maioria deles, como Sinapse da Inovação, Startup SC, Inovativa Brasil e Inova Sênior. “Foi a partir do aporte do Sinapse da Inovação que a empresa iniciou suas operações, desenvolvendo o primeiro piloto junto à Cerâmica Portinari em Criciúma, que nos forneceu todo o ambiente para validarmos o projeto”, revela Girardi.

Para as consultorias, a plataforma oferece gestão das licenças e documentos ambientais emissão de relatórios e disponibilização de checklists para visitas em campos e os frutos da já são vistos. Como exemplo, cita Fraga, está aumento de produtividade nos processos da área ambiental das empresas em mais de 30% e redução dos custos com resíduos em mais de 17%, redução do custo operacional da área ambiental em mais de 20%. “Além disso, conseguimos gerar novos negócios para os participantes por meio de conexões inteligentes, conectando quem necessita de algum serviço na área ambiental com aquele que possui esse serviço”, ressalta.

Coleta de lixo orgânico

As primeiras ideias para criar a startup Adubooo surgiram durante o evento Startup Weekend, em Criciúma, um evento de empreendedorismo que incentiva a criação de novas empresas. Nele, o trio Patrícia Darolt Costa, Alice Maccari e Jéssica Valério, apresentou a iniciativa para uma banca de jurados e ficou em segundo lugar. Diante do reconhecimento, as duas engenheiras ambientais e a publicitária decidiram levá-la adiante e submeter ao Sinapse da Inovação, onde passou por um processo seletivo, sendo uma das 100 empresas de Santa Catarina selecionadas e com a subvenção conseguiram dar prosseguimento ao sonho. “A Adubooo é uma startup que presta um serviço de coleta de lixo orgânico em residências, restaurantes e empresas para transformar o lixo orgânico em adubo, por meio de um processo chamado compostagem”, explana Patrícia.

Seguindo um modelo visto em grandes centros como Florianópolis e Curitiba, atualmente, a empresa atende cerca de 70 clientes, que estão divididos entre residências familiares e empresas, que resultaram em quase duas toneladas coletadas. “Hoje o lixo orgânico das residências e pequenos geradores (restaurantes e estabelecimentos comerciais) vai para o aterro sanitário, que não é o destino ambientalmente correto. Lá no aterro o lixo acaba se contaminando com rejeitos e fica todo contaminado, aumentando a geração de chorume, que pode contaminar as águas. Diferente da compostagem, que é um processo de transformação do lixo em adubo”, diz.

A Adubooo dá a opção de como deve ocorrer a coleta: semanal ou quinzenal. “O que muda é a frenquencia de coleta. Normalmente os clientes que não fazem muitas refeições em casa optam pelo plano quinzenal. Eles recebem um balde de 15 litros com um saquinho biodegradável compostável, e conforme a frequência da coleta passamos para recolher. Além disso, eles também recebem uma vez por mês uma ‘recompensa natural’ como frutas, legumes e temperos que são produzidos em uma horta própria”, completa Patrícia.

 

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Por: Marciano Bortolin
Em: Criciúma

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