Prefeitos catarinenses não concordam com nova proposta que transforma recursos do pré-sal em emendas parlamentares

Somente as prefeituras deixariam de receber R$ 20,6 milhões, que deixariam de entrar nos cofres públicos via Fundo de Participação de Municípios (FPM), e seriam destinados para liberação de emendas parlamentares.

Foto Lucas Colombo
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Comitiva de prefeitos, liderada pela Federação Catarinense de Municípios (Fecam), estará em Brasília a partir desta terça-feira (8/10) para estruturar ação junto a Confederação Nacional de Municípios (CNM) contra mudança na PEC 152/2019, que trata da distribuição entre União, Estados e Municípios de recursos com a cessão onerosa do pré-sal. Não considerada a divisão prevista na PEC, Santa Catarina poderá perder R$ 41,2 milhões. Somente as prefeituras deixariam de receber R$ 20,6 milhões, que deixariam de entrar nos cofres públicos via Fundo de Participação de Municípios (FPM), e seriam destinados para liberação de emendas parlamentares.

A análise da PEC 152/2019 está prevista para a quarta-feira (9/10), na sala de reuniões da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) e, informações da CNM apontaram que existe a possibilidade de mudança em critérios e percentuais, diminuindo os valores repassados aos municípios. Em abril desse ano, durante a Marcha de Prefeitos, em Brasília, o Governo Federal acordou com a CNM a garantia do repasse diretamente aos municípios, na presença do presidente da República, Jair Bolsonaro e do ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Para o presidente da Fecam, prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli, o acordo segue antiga reivindicação dos prefeitos, como medida para equilibrar o Pacto Federativo. Segundo ele a aprovação da PEC 152/2019 é urgente, uma vez que o leilão do pré-sal está marcado para o dia 6 de novembro.

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A PEC que trata dos recursos da cessão onerosa, já aprovada no Senado, defende a distribuição de repasse de 15% para Estados, 15% para municípios, 3% para Estados produtores e 67% para a União. Assim, segundo a CNM, seguindo a previsão de R$ 106 bilhões a serem arrecadados com o leilão, R$ 33 bilhões deverão ser destinados à Petrobras, R$ 48,9 bilhões à União, R$ 10,95 bilhões aproximadamente para Estados e R$ 10,95 para Municípios e R$ 2,1 bilhões a Estados produtores. A previsão é que Santa Catarina receba R$ 412 milhões, caso esse percentual seja mantido.

A possibilidade de mudança na proposta incomoda os prefeitos catarinenses, pois diminuiria para 10% o repasse aos Estados e 10% também para os municípios, ficando 10% dos recursos disponíveis para emendas parlamentares. Só os municípios catarinenses perderiam aproximadamente R$ 128 milhões e, com a diminuição do percentual a mesma perda também afetaria o Estado, passando dos previstos R$ 412 milhões em repasse para R$ 281 milhões.

Ponticelli destaca que a Federação se unirá ao movimento municipalista do país. “Queremos impedir que esse absurdo aconteça na Câmara dos Deputados e que os recursos sejam distribuídos como foi acordado com o Governo Federal, através do FPM e FPE, com distribuição mais justa para todos os municípios do Brasil”, destaca Ponticelli. Em levantamento feito pela Fecam, consta a lista dos valores previstos para cada município catarinense, considerando a proposta inicial (PEC 152/2019), aguardada pelos municipalistas.

A comitiva de prefeitos da Fecam será liderada pelo conselheiro da Fecam, prefeito de Biguaçu, Ramon Wollinger; prefeito de Petrolândia, Joel Longen; prefeito de Riqueza, Renaldo Mueller; prefeita de Vargem, Milena Becher; prefeito de Paial, Névio Mortari; prefeito de Laurentino, Gilberto Marchi; prefeito de Bombinhas, Paulo Henrique Muller e o prefeito de Botuverá, José Luiz Colombi.

Posição da CNM

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) pretende reunir prefeitos de todo o Brasil. O presidente Glademir Aroldi, tem feito forte apelo aos gestores municipais para que acompanhem e fortaleçam a posição da CNM em defender os 15% acordados com o Governo Federal. A CNM é contra a retirada dos recursos dos municípios para destinação de emendas parlamentares. “Não vamos aceitar esse absurdo. O Governo Federal e o Congresso precisam acertar o que foi combinado durante a última Marcha de Municípios em Brasília. As emendas parlamentares que forem indicadas agora não serão concretizadas nos atuais mandatos”, destaca Aroldi.

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