Condenado pelo TRE, Cabo Loro não poderá assumir na Câmara de Araranguá

Conforme relator do processo, auxiliar financeira ou materialmente cidadãos não é função própria da vereança

Cabo Loro vai recorrer da decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). (Foto: Divulgação/DN)

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Bruna Borges
Araranguá

 

Reeleito vereador de Araranguá em outubro, com 1.299 votos, Lourival João, o Cabo Loro (PSD), não poderá assumir o posto em 2017. Ele foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por captação ilícita de voto.
Na época do fato, agosto deste ano, a eleitora ajudada por Cabo Loro chegou a ser presa em flagrante por crime eleitoral.
O advogado do vereador, Dr. Jean Carlos de Souza, explicou no Tribunal que Cabo Loro foi procurado na época por um amigo, dizendo que uma pessoa estava com suspeita de câncer há oito meses, mas não conseguia agendar um exame. “Tendo 20 anos como vereador e mais dez como policial militar, Cabo Loro sempre teve a conduta de ajudar as pessoas na área da saúde. Ele foi à casa da senhora e disse que iria tentar marcar o exame. No laboratório, informaram que ela só poderia ser atendida rapidamente se fossem pagos R$ 360. Ele pagou e voltou na casa da mulher para comunicar que agendou o exame. Ela não sabia que ele era candidato a vereador. Ele não deixou nenhum santinho. Depois, ela foi ao laboratório e foi presa. Mas, em nenhum momento teve pedido de voto”, ressaltou o advogado.

Não negou pagamento do exame
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A sentença em primeira instância, pela cassação do registro de candidatura, veio 20 dias antes das eleições. “Mesmo as pessoas dizendo que ele estava cassado, foi o terceiro mais votado”, complementou Souza.
Para os desembargadores do TRE, o simples fato de o vereador ter pagado o exame já configura o ilícito eleitoral. “Auxiliar financeira ou materialmente cidadãos não é função própria da vereança. É uma caridade imprópria. Ao invés de agir anonimamente, o vereador fez questão de ter contato pessoal com a eleitora”, frisou o relator, juiz Antonio do Rêgo Monteiro Rocha.

Suplente Vidrinho assume

Cabo Loro vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TRE), mas terá que esperar o julgamento fora do mandato. No lugar, assume o suplente Adão Vieira dos Santos, o Vidrinho (PR). “Não abandonarei a política. Estarei participando ativamente de outra forma. Ao meu suplente, Vidrinho, desejo sucesso”, disse o vereador, via Facebook.
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